Portugal Romano

Conímbriga

Depois de, na passada segunda feira, o termos desafiado a visitar Conímbriga, umas das mais importantes e conhecidades cidades romanas do território nacional, hoje sugerimos que conheça sete núcleos arqueológicos, distribuídos entre Trás-os-Montes e o Algarve, que lhe permitirão conhecer melhor o período de ocupação romana da antiga Lusitânia. Entre civitas,  villas e santuários, venha descobrir o Portugal Romano!

Santuário de Panóias, Vila Real

Santuário de Panóias

– Este templo, mandado edificar nos finais do século II, ou inícios do século III, é constituído por três grandes fragas, onde ainda se podem ver vestígios dos pequenos templos que formavam o complexo do santuário. Foi Calpurnius Rufinus, um alto funcionário do governo provincial romano, que aqui introduziu o culto a Serápis, principal divindade do Inferno. Aproveitando certamente o espaço de um anterior culto indígena, Panóias integrava um ritual de iniciação dos mistérios das divindades infernais, com “uma ordem e um ritual precisos”: a matança das vítimas (smepre animais, nunca humanos), a que se seguia o sacrifício do sangue e a incineração dos animais, posteriormente o consumo da carne, depois a revelação do nome da autoridade máxima dos infernos, e por fim a purificação.  Actualmente, o monumento está dotado de estruturas de acolhimento a visitantes, nomeadamente um Centro Interpretativo onde pode marcar uma visita guiada ao espaço. Para saber mais, espreite aqui.

Tongóbriga/Estação Arqueológica do Freixo, Marco de Canaveses

Tongóbriga

– O que começou por ser um castro fortificado foi sendo gradualmente ocupado pelas autoridades romanas até finais do século I, transformando-se numa importante civitas, “com preponderância sobre a região envolvente”. Em Tongóbriga podemos descobrir o forum, um dos maiores em Portugal, construído no início do século II ao tempo do Imperador Trajano, o templo, as termas com jardim exterior e piscina ao ar livre, e a área habitacional que, pese embora a sua ainda reduzida área de escavação, permite já perceber uma cidade de cerca de 3.000 habitantes. Da época posterior à queda do Império Romano, destaca-se a basílica paleo-cristã, no local onde hoje se encontra a igreja matriz do Freixo, que nos séculos V e VI terá sido sede de uma das primeiras paróquias cristãs da então recém-criada diocese do Porto.  Para saber mais, visite o site.

Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, Lisboa

Mosaicos do Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros

– Embora o subsolo da capital seja riquíssimo em vestígios romanos, destaca-se pelas suas características únicas o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros. Situado no edifício do Millenium bcp, que ocupa um quarteirão da baixa pombalina, este espaço permite-nos “percorrer 2500 anos da história de Lisboa” debaixo de chão. Da época romana possui um complexo industrial com várias cetárias – tanques e poços – que serviam de apoio às fábricas de conservas de peixe salgado, uma vez que aqui se reparavam as ânforas utilizadas para transportar e conservar o peixe, e ainda as instalações dos banhos, de que subsistem três piscinas. Para mais informações, clique aqui.

Ruínas de Tróia, Setúbal

Ruínas romanas de Tróia

– Estendendo-se por quase 2 quilómetros na margem esquerda do Sado, encontra-se “um dos mais produtivos e interessantes centros de conserva do Mediterrâneo Ocidental”. Esta (então) ilha no estuário do rio fazia parte de uma complexa rede comercial centrada no Mediterrâneo que garantia o fornecimento de “produtos e iguarias do mar a todos os grandes núcleos populacionais do Império”, incluindo Roma. Estas ruínas, que são a zona de escavação arqueológica mais antiga do país, desvendam-nos o poder comercial e produtivo do Império romano; em torno da villa industrial, onde encontramos os tanques de salmora de peixe, bivalves e crustáceos, nasceu gradualmente um aglomerado urbano que compreende algumas domus, termas, necrópoles, um mausoléu e uma basílica paleo-cristã. Aproveite uma visita mais a sul para conhecer este significativo complexo arqueológico, agora reaberto ao público com um percurso renovado.

Miróbriga, Santiago do Cacém

Vista aérea de Miróbriga

– Habitado desde, pelo menos, a Idade do Ferro, este povoado fortificado entrou na esfera de influência romana a partir do século II a. C.. No século I d. C. foi objecto de um profundo projecto de ampliação urbanística, com a construção do forum e das termas, o que permitiu o crescimento populacional. Foi dotado de assembleia ou senado local, com calendário religioso, festivo e lúdico, o que atesta a sua importância. No espaço das ruínas destacam-se o hipódromo, os banhos, o forum local, as domus, e um aglomerado de insulae, com respectivas lojas e tabernae. Para saber mais, espreite aqui.

Villa de Milreu, Estói

Villa de Milreu

– Edificada no século III d. C., esta magnífica villa é constituída por uma casa senhorial de grandes dimensões, instalações agrícolas, termas e um santuário aquático – ou ninfeu – que se evidencia ser de época romana tardia (um templo de galeria). Destaca-se sobretudo pelo magnífico programa decorativo, com ricos mosaicos que representam fauna marinha e motivos geométricos, jardins faustosos e inúmeros exemplares de estatuária. A estrutura é, sobretudo, indicativa de riqueza e vincada “romanidade” dos seus proprietários. Para obter mais informações, clique aqui.

A cidade romana de Conímbriga

Vista das ruínas romanas de Conímbriga

O Museu Monográfico de Conímbriga é, provavelmente, uma das povoações romanas mais conhecidas e estudadas em Portugal.

Situada a 16 km de Coimbra, esta estação arqueológica foi a principal cidade do Conventus Scallabitanus – província romana da Lusitânia – entre os século I a. C. e o século V d. C. Com as invasões bárbaras, em 465 e 468, a cidade foi saqueada e destruida, levando ao seu gradual abandono.

As primeiras escavações arqueológicas na área foram realizadas em 1899, e desde então o espaço (que tem ainda muito por descobrir em campanhas arqueológicas) tem sido de significativa importância para reconstruir o modo de vida do Portugal Romano. No site do museu podemos ter uma perspectiva do que se pode encontrar em Conímbriga, destacando-se não só o grande número de casas e insulae dos habitantes da cidade, mas também os espaços do fórum, termas, lojas e o anfiteatro. Para preparar a visita, ou explorar as ruínas a partir de casa, é sugerida uma visita virtual a 16 núcleos.

Mosaico de caçada ao veado

 

Classificadas como monumento nacional em 1910, as Ruínas Romanas de Conímbriga dispõem desde 1962 de um museu exclusivamente dedicado ao sítio arqueológico, que alberga objectos encontrados durante as escavações dos últimos 100 anos, apresentando uma variada colecção que “materializa a evolução histórica do lugar, entre finais do segundo milénio antes de Cristo e o séc. VI da era cristã.”

No espaço destacamos a magnífica Casa dos Repuxos, uma ínsula de carácter residencial que originalmente tinha dois pisos. O peristilo central, que atravessa o edifício, “era a peça essencial da casa, decorado por caixotões ajardinados construídos no implúvio, bordados de mosaicos e repuxos”, contando com um sistema de canalizações que alimenta mais de 500 repuxos.

Casa dos Repuxos, Conímbriga