A Livraria Lello

Livraria Lello

Considerada uma das mais belas livrarias do mundo, a Livraria Lello e Irmão situa-se na baixa do Porto, sendo um dos edifícios mais emblemáticos da cidade. O espaço foi construído em 1906, com projecto do engenheiro Francisco Xavier Esteves, causando grande impacto no meio cultural da época.

A fachada neogótica destaca-se no meio urbano que a envolve, e dá o mote à atmosfera quase mágica do interior da livraria. Em tons dourados, o espaço abre-se numa atmosfera intimista, ondulante, em que a decoração de rendilhados nos conduz pelas prateleiras repletas de livros. A magnífica escadaria conduz ao piso superior, que ao modo das bibliotecas antigas, se compõe como uma varanda em torno do espaço. No tecto o grande vitral que permite a entrada de luz e onde se pode ler a divisa “Decus in Labore”, é uma das marcas mais significativas da galeria, pela qualidade dos desenhos e riqueza das cores. O edifício foi restaurado em 1995, para permitir uma adaptação do espaço às novas tecnologias, dispondo de uma galeria de arte e um fundo bibliográfico com mais de 60 mil livros.

Para quem está no norte, sugerimos um passeio de fim de semana até à Rua das Carmelitas para apreciar este exemplar da arquitectura neogótica portuguesa. Vale a pena visitar este espaço único da cultura portuense.

Vista aérea da Livraria Lello (@igespar.pt)

Para saber mais: The world’s top 10 bookshops; A Lello em imagens – 360º

Serralves em Festa

Ao longo deste fim de semana vai decorrer a 8.ª edição do Festival Serralves em Festa. Durante 40 horas, aquele que é considerado «o maior festival de expressão artística contemporânea em Portugal e um dos maiores da Europa» vai receber no espaço da Fundação Serralves – e também em alguns pontos da Baixa do Porto e no Aeroporto Francisco Sá Carneiro – mais de 240 eventos destinados a «todas as idades, para todas as famílias e para a família toda.»

As actividades abrangem as mais diversas áreas: Performance, Música (Improvisada, Pop Rock, Electrónica, Experimental, Jazz, DJs), Dança Contemporânea, Acrobacia, Circo Contemporâneo , Circo de Objectos Sonoros, Teatro (Teatro de Rua, Teatro para Infância e Juventude, Teatro de Marionetas) Cinema, Vídeo, Instalação, Fotografia, Visitas Orientadas, Exposições, Workshops e actividades para Crianças e Famílias.

Para saber mais, espreite aqui.

Vitrais pela cidade

Vitral da cabeceira da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Lisboa

 

O vitral é um “jogo de cor” que pretende decorar e dar luz ao interior dos edifícios. Usado na Idade Média nas grandes catedrais góticas com parte indissociável da leitura do espaço – porque a luz era o meio para a compreensão divina – o vitral era inicialmente feito com guias ou filetes em chumbo, de secção em U ou em H, como suporte das peças de vidro colorido que o compõem. A coloração dos vidros era obtida através da adição de óxidos de vários metais – o vermelho a partir do cobre e do ouro, o amarelo e verde a partir do ferro, e os azuis a partir do cobalto – enquanto o vidro ainda estava moldável. Era uma técnica morosa e requeria extrema perícia no desenho, no corte do vidro, na conjugação de cores. Ao longo do século XVI caiu em desuso, sendo substituído pela pintura mural e, sobretudo, pela talha dourada. Nos finais de Oitocentos o vitral voltou a ressurgir como motivo decorativo, em parte porque a industrialização permitiu novas técnicas de fabrico do vidro, mais aperfeiçoadas, mas também porque tanto a arquitectura do ferro como o betão permitiram um uso funcional dos vitrais como ponto de iluminação em átrios e vãos de escada.

Hoje propomos que descubra em Lisboa e no Porto alguns exemplares desta arte decorativa, que tantas vezes passa despercebida a que vive e trabalha nas cidades.

Na capital destacam-se duas belíssimas obras de vitral executadas no século XX, uma profana e outra sagrada, ambas parte de dois edifícios emblemáticos da Lisboa contemporânea – a Casa-Atelier José Malhoa e a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Vitral da sala de jantar da Casa Malhoa (clique para ampliar)

Edificada nas Avenidas Novas, a magnífica casa neo-românica que o pintor Malhoa encomendou em 1904 ao arquitecto Norte Júnior (e que viria mais tarde a ganhar o Prémio Valmor) é decorada com uma série de vitrais, executados expressamente em Paris, na Société Artistique de Peinture sur Verre. Na sala de jantar, o grande janelão mostra um opulento vitral, com a figura de uma mulher que colhe frutos, parecendo estar no paraíso. Actualmente, o antigo atelier de José Malhoa alberga a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Grande coleccionador de obras de arte, o médico António Anastácio Gonçalves adquiriu a casa lisboeta de Malhoa em hasta pública e posteriormente legou-a ao Estado português, para que ali se fizesse um museu com as peças da sua colecção. Aproveite e conheça este pequeno museu dentro da cidade, aprecie as colecções de pintura, mobiliário e porcelana, bem como o espaço do atelier do pintor, que foi recriado.

Crucificação, coro alto da Igreja de Nª Sª Fátima

Também na zona das Avenidas Novas foi construída em 1934 – já em pleno Estado Novo – a Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Projectada pelo arquitecto Pardal Monteiro, é a primeira igreja modernista que desafiou “os códigos tradicionalistas”. O interior é decorado com vitrais de Almada Negreiros, que desenhou as composições inspirando-se nas formas usadas na Idade Média, dando-lhe uma estilização gráfica e mais moderna. Os vitrais retratam cenas como a Crucificação (no coro), a Santíssima Trindade ou os magníficos Anjos Músicos que, numa espécie de rendilhado, preenchem todo o espaço da cabeceira. Entre e deixe-se envolver por este espaço imponente mas intimista, e pelo jogo de luz e cor criado pelos seus vitrais.

Para quem vive no Porto, sugerimos uma visita ao antigo Café Imperial, na Avenida dos Aliados (que depois de restaurado passou a albergar um restaurante da cadeia MacDinald’s), onde pode apreciar os magníficos vitrais Art Déco de Ricardo Leone. Na parede do fundo, um grande painel faz alusão à produção, colheita e exportação do café brasileiro, e ao lado outro vitral retrata um casal elegante e o seu ritual de beber o café. A acompanhar estes vitrais, não deixe de apreciar os painéis de estuque tão ao gosto dos anos 30.

vitral do Antigo Café Imperial

 

Saia pela cidade, e divirta-se!

A Evolução de Darwin no Jardim Botânico do Porto

A Evolução de Darwin, exposição que procura focar a vida e obra do cientista, é fruto da colaboração da Universidade do Porto com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, e poderá ser vista na Casa Andersen, no Jardim Botânico, até dia 17 de Julho.

A exposição centra-se na viagem à volta do mundo efectuada por Charles Darwin a bordo do HMS Beagle, que está na génese da sua teoria de Evolução das Espécies através da selecção natural. É ainda possivel observar uma área com plantas e animais vivos, “tatus, suricatas, pombos, lagartos de gola, eufórbias, entre outras espécies que ilustram alguns dos processos evolutivos descritos por Darwin.”

A par de várias actividades, palestras e workshops que se encontrarão disponíveis para um público geral, a exposição conta ainda com actividades especificas para as escolas básicas e secundárias. Estas integram num pacote-escola, guias para professores e alunos, e ofícinas educativas, para serem realizadas após a visita, com duas actividades prácticas distintas: uma relacionada com a selecção natural e outra com a deriva genética.

A página da exposição disponibiliza uma área de recursos educativos, com sugestões de livros e de sites sobre Darwin e evolução para quem quiser saber mais.