As Invasões Francesas contadas aos mais pequenos

Num divertido filme de animação, da autoria de Alice Eça Guimarães, conta-se a história das Linhas de Torres Vedras, a estrutura defensiva que permitiu derrotar os exércitos de Napoleão no início do século XIX. Uma emocionante (e curta) aventura que explica a pequenos e crescidos as Invasões Francesas, o seu impacto político, económico e social, como a fuga da Família Real portuguesa para o Brasil ou a política da terra queimada, e como portugueses e ingleses construíram em poucos meses a maior linha fortificada da Europa à época.

Para veres com a tua família, espreita aqui.

 

 

Vamos fazer uma pintura rupestre?

Gruta de Chauvet, França

Neste Lápis&Pincéis vamos debruçar-nos sobre a pintura do Paleolítico Superior, uma das manifestações artísticas mais antigas, tanto quanto os Homens Modernos. Sendo uma das mais recuadas formas de comunicação artística torna-se espantoso pensar como mensagens milenares conseguiram chegar até nós.

A pintura paleolítica integra-se no conceito maior de Arte Rupestre – que provém do termo latino rupus que significa rocha – e que engloba as pinturas e gravuras efectuadas sobre rocha. A arte rupestre surge como manifestação artística durante o Paleolítico Superior – 40 000 a.C. – prolongando-se ao longo dos tempos e até aos dias de hoje, como se pode ver em algumas gravuras do Vale do Côa.

Este tipo de arte pode surgir-nos em grutas ou ao ar livre, nos tectos ou nas paredes, em zonas públicas e de fácil acesso ou nos cantos mais escondidos das grutas, sob a forma de pintura ou de gravura.
As gravuras podiam ser feitas segundo várias técnicas, como a abrasão, a picotagem ou a incisão, as designadas gravuras filiformes.

Canada do Inferno, Foz Côa, Portugal

A nível da pintura, os materiais mais usados na sua elaboração são as rochas, que funcionavam como painéis de suporte à arte, o carvão, o óxido de ferro (ocre), argila e outros pigmentos naturais que misturados com resina ou gordura funcionavam como tintas.
As pinturas eram feitas com os dedos, com pincéis rudimentares, canas ou pequenos paus que seriam utilizados como lápis. Por vezes era também usado o relevo natural das rochas para dar a sensação de volume ao corpo do animal que se pretendia representar.
A nível temático é muito comum a representação de animais, como os cavalos, cervos, mamutes, bisontes, etc. Estes podem surgir isolados, em conjunto ou até mesmo sobrepostos, organizando-se de acordo com as suas superfícies de suporte, as paredes das rochas.

Gruta de Altamira, Espanha

Em menor número surge também a figura humana em actividades como a caça ou a dança. Surgem também representações de mãos humanas em positivo ou negativo sobre as paredes, associadas a outros símbolos cujo significado nos é desconhecido.
Ainda que o significado destas representações seja difícil de interpretar, pensa-se que pode corresponder a prácticas mágico-religiosas, formas de legitimação de território ou representações do quotidiano.
Lápis & Pincéis

Forra a mesa de actividades com um plástico ou com folhas de papel e pede um avental ou um bibe aos teus pais.

Observa bem as fotografias que te mostrámos, pede aos teus pais para ver este projecto e depois pega na folha de papel, suja-a com um pouco de terra ou de barro e amachuca-a de forma a ganhar alguns sulcos irregulares.
Agora que já criaste a tua superfície base começa a delinear com o pedaço de carvão os animais ou as pessoas que queres representar. Tenta usar uma ponta fininha do carvão para não borrar o desenho e tem cuidado para não pousares as mãos no papel, pois podes esborratar.
Quando tiveres os contornos dos desenhos feitos podes começar a colorir usando o preto do carvão, o barro, a terra misturada com água para os diferentes tons de castanho e o sumo de beterraba para os tons avermelhados.
Noutra folha podes colocar a tua mão sobre o papel, a mão dos teus pais ou dos teus irmãos e com o borrifador cheio de sumo de beterraba diluído em água, borrifar de forma a deixar a marca das mãos em branco com a pintura à volta.
Material necessário:
Papel cenário, pincéis velhos, mãos, dedos, barro, terra misturada com água numa tigela, um pedaço de carvão, sumo de beterraba, um borrifador.

Como fazer um herbário?

Os herbários são uma forma de coleccionismo e catalogação de espécies vegetais que são prensadas e secas entre folhas de papel. As plantas estão acompanhadas pela sua identificação, caracterização do seu habitat, sendo também designado o local onde foram apanhadas.

Estas colecções de plantas estão em constante crescimento e quando devidamente guardadas podem durar centenas de anos.

Ainda que tenha sido em Itália, no século XVI, que surgiram os primeiros herbários, foi só no século XVIII, com Lineu, que esta forma de coleccionar e estudar plantas foi popularizada por toda a Europa.

Uma das mais antigas experiências de herborização em Portugal foi iniciada ainda em finais do século XVIII pelo italiano Domingos Vandelli, docente da cadeira de História Natural na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Este scientista foi também o director do Gabinete e Jardim Botânico da Quinta de São Bento, em Coimbra.

Parte da sua obra foi trazida pelo próprio para o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda e a outra parte enviada por Vandelli a Lineu, encontrando-se presentemente no Herbário de Lineu da Linnean Society, em Londres e no Muséum National d’Histoire Naturelle de Paris.

Lápis & Pinceis

E se nestas férias de verão iniciares o teu Herbário? Este poderá ser um projecto que te ocupe vários anos e que poderás ir desenvolvendo em cada passeio que dês.

Necessitas de várias amostras de plantas, que deverás identificar com o local de proveniencia, a data da recolha e o nome da planta – que poderás procurar num catálogo de plantas.

Faz um monte com umas cinco folhas de jornal velho e posteriormente coloca sobre elas uma folha de papel branco grosso sobre a qual colocarás as plantas individualmente. Não te esqueças de escrever a identificação das plantas e o local e data da recolha com um lápis no papel branco. Coloca sobre tudo mais cinco folhas de papel de jornal.

Coloca esta pilha sobre uma mesa ou secretária e por cima uma pilha de livros pesados e deixa passar uma semana. Quando desmontares esta pilha, as plantas deverão estar secas e poderão ser coladas a uma cartolina e metidas dentro de uma mica transparente que poderás guardar num dossier.

Podes também espreitar os sites que serviram de inspiração para esta actividade aqui e aqui.

O mundo fantástico de Bosch

Este quadro de Hyeronimus Bosch retrata São João isolado em Patmos a escrever o Livro da Revelação do Apocalipse – o livro que o Santo tem colocado sobre o colo.

Olha para a obra e observa a noção de profundidade, com a apresentação das imagens em vários planos, tão diferente da forma como os fundos eram representados em época medieval. Repara também no contraste cromático entre o fundo da imagem – com um céu carregado de núvens – e as figuras apresentadas em primeiro plano.

A nível temático observa a relação entre o sagrado, presente na imagem da Nossa Senhora, do anjo e do São João, e do profano, representado pelo corvo e pelo estranho ser – meio homem, meio insecto – que se pode ver atrás do Santo.
Esta relação, apresentada de forma onírica e fantástica é uma constante na obra de Hyeronimus Bosch, usualmente considerado como o primeiro pintor fantástico.

Lápis & Pincéis:

Imprime a folha anexa e pinta a imagem  do quadro. Para que o faças sugerimos que utilizes lápis ou lápis de aguarela que tornarão os esfumados das nuvens mais simples de fazer. Podes descarregar a actividade aqui.

Queres ser um Picasso?

Hoje propomos uma divertida actividade on-line para crianças e adultos. Que tal fazeres o teu próprio Picasso?

Com o Picasso Head podes fazer um retrato cubista, tal como Pablo Picasso fazia. Como um jogo interactivo, basta escolheres os itens sugeridos pelo menu e arrastá-los, com o mouse, para a tela virtual. Rosto, olhos, sobrancelhas ou lábios, um toque de cor, e já está! Assina a tua obra de arte, e imprime-a para decorar a porta do teu quarto, ou até mesmo da casa de banho.

Diverte-te.

Num instante…

Claude Monet foi o mais importante pintor impressionista. Nascido em Paris em 1840, estudou pintura desde muito novo, embora o pai quisesse que ele tomasse conta dos negócios da família. Aos 21 anos ingressou na Academia de Belas Artes, mas não gostou do ensino rígido do curso de pintura – composições rígidas, de temas bíblicos, históricos ou mitológicos, em que os modelos faziam poses artificiais e era privilegiado o desenho anatomicamente correcto.

Em 1862 saiu da Academia e conheceu Renoir, Sisley e Bazille, quando começou a estudar com o pintor Charles Gleyer. Este encontro entre os quatro jovens pintores mudou para sempre a arte da pintura, uma vez que o grupo de amigos iniciou o chamado Impressionismo.

O Impressionismo foi um movimento que deu origem a pinturas, ou representações, de pessoas comuns – retratados de corpo inteiro ou em multidão – em situações casuais ou momentos quotidianos ao ar livre. Os pintores pintavam muitas vezes ao ar livre, explorando o movimento e as variações da luz natural, bem como os efeitos desta sobre a cor. É uma pintura que se caracteriza por pinceladas fortes e rápidas, que dão ideia de movimento, sem contornos nítidos, para que a mancha de cor se torne no elemento principal do quadro, em que as cores são utilizadas puras, e não com misturas de pigmentos; são as pinceladas curtas que dão ao espectador a ilusão da combinação das cores. É caracterizada sobretudo por ser uma pintura “instantânea”, ou seja, funcionando como uma fotografia, capta um momento breve, espontâneo e natural.

Vês esta pintura de Claude Monet? Chama-se Mulher com guarda-sol e retrata a primeira mulher do pintor, Camille, e o filho mais velho, Jean, num passeio. Pintada em 1875, captou um momento casual da família, em que mãe e filho parecem ter parado um instante numa subida para olhar para o pai, que seguia atrás. Parece uma fotografia, não achas? Para reforçar a ideia de brevidade do momento, repara como Monet utiliza as pinceladas curtas de cores vibrantes, para dar uma luz intensa ao quadro e a forma do movimento do vento que empurra as nuvens e faz esvoaçar o vestido de Camille.

Lápis & Pincéis

E tu, consegues desenhar as tuas impressões?

Ao modo dos pintores impressionistas, aproveita as tuas férias, e enquanto estás no campo ou passeias pela praia, regista um momento do quotidiano.

A ideia é captares alguém da tua família, ou do teu grupo de amigos numa cena espontânea do dia-a-dia. Não te esqueças que é importante a intensidade da luz que vês, a forma como esta dá mais ou menos cor aos objectos e pessoas, e o movimento.

Para te ajudar, podes registar o momento em fotografia, e depois passá-lo para um papel.

Desenha os contornos de forma leve, e depois utiliza lápis de cor e lápis de cera para dar a intensidade da cor, o movimento e a luz ao teu desenho.

Podes também descarregar aqui a actividade.

Dá cor a uma lenda medieval – a pintura românica

A pintura medieval europeia divide-se em dois grandes grupos, a românica e a gótica. Esta semana o Lápis & Pincéis abordará a românica.
 
Com uma forte componente pedagógica –  uma vez que a maioria das pessoas na Idade Média não sabiam ler e desconheciam a língua em que as missas eram professadas, o latim – a pintura românica usava as imagens como veículo por excelência para instruir na Fé Cristã. A pintura românica centra-se muito na temática religiosa versando sobre a vida de Cristo, histórias bíblicas, as vidas dos santos e sobre a temática histórica, contando os feitos heróicos dos guerreiros e as derrotas dos inimigos nas batalhas. Há ainda algumas imagens que reflectem o quotidiano, contudo mais pontuais.
 
A nível de suportes as pinturas medievais surgem-nos através das decorações das igrejas, nos frescos, retábulos e mosaicos e nos livros, através das iluminuras.  Ainda que muito diversa e com bastantes variações regionais, a pintura medieval românica obedecia a uma série de regras rígidas como a bidimensionalidade – ausência de perspectiva dos desenhos; o recurso a fundos pouco definidos sendo comum o recurso ao dourado; o uso de cores cheias e sem sombras; a falta de rigor anatómico sendo comum o uso do mesmo tamanho de cabeça e de mãos nas figuras representadas; a inexpressividade dos rostos respresentados; a frontalidade do rosto; o uso de figuras estáticas e em posições desarticuladas e o hieraterismo – hierarquização na representação dos elementos, a nível de tamanho e de posicionamento no desenho, consoante a importância religiosa ou social da figura representada. Outro facto curioso é a forma como as crianças eram representadas, como adultos em miniatura e nunca respeitando a sua fisionomia particular.

A par da pintura, há que mencionar a importância da tapeçaria medieval. Usada não só como elemento decorativo, tinha ainda um aspecto utilitário enquanto meio de aquecer os espaços. Um dos exemplares mais conhecidos do século XII é a a tapeçaria de Bayeux que nos conta a conquista da Inglaterra por Guilherme II, Duque da Normandia, mas isso aprofundaremos num proximo Lápis & Pincéis.

A Lenda das Amendoeiras em Flor

Quando o rei Ibn-Almundim reinava em Chelb – Silves -, há muitos, muitos séculos, era conhecido por ser vitorioso e nunca ter conhecido a derrota.

De uma das suas vitórias avistou entre os prisioneiros uma bela mulher loira, de pele clara, olhos azuis e porte altivo, que dava pelo nome de Gilda e era a princesa do reino derrotado. O rei apaixonou-se pela bela princesa, deu-lhe liberdade e desposou-a.

Um dia a princesa, que até então era feliz, caiu em grande tristeza e adoeceu sem razão aparente. Um cativo das terras do Norte, do reino de onde era princesa, pediu para falar com o rei e explicou-lhe que Gilda sentia saudades do seu país branco e gelado pela neve.

Ibn-Almudim, sem saber o que fazer, pois não nevava no seu reino pensou em qual seria a solução para a tristeza da sua rainha. O rei mandou plantar amendoeiras por todo o seu reino e esperou que Gilda resistisse até à primavera.

Quando os pássaros e as brisas quentes chegaram pediu à princesa para chegar à janela do castelo e admirasse as pequenas flores brancas que povoavam as terras até perder de vista. A princesa soltou uma lágrima e despediu-se das saudades que sentia da neve branca do seu reino do Norte. E é por esta razão que existem amendoeiras no Algarve.

Lápis & Pinceis
Pensa no número de “quadradinhos” que vais precisar para contar a história que te apresentámos. Pega numa folha A4 branca e desenha os rectângulos ou quadrado que achas que necessitas – não te esqueças que podes fazer rectângulos maiores para as cenas que considerares mais importantes.Numa folha ao lado faz o esquema da página, numera os quadrados e faz corresponder uma legenda a cada quadrado para não te perderes e teres um guião de trabalho.Pega na folha e começa a desenhar a história. Se quiseres podes aplicar ao teu desenho algumas regras da pintura medieval, nomeadamente o desenhares as personagens com um tamanho correspondente à sua importância social. Assim um mendigo será sempre desenhado com um tamanho inferior a um nobre ou a um membro do clero. Quando desenhares crianças, desenha-as como adultos pequenos.