Os Fortes das Linhas de Torres Vedras (II) – Loures e Vila Franca de Xira

Em 2007 a  PILT – Plataforma Intermunicipal para as Linhas de Torres – composta pelos concelhos de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço e Vila Franca de Xira deu início ao projecto Rota Histórica das Linhas de Torres, com acompanhamento técnico do IGESPAR  e apoio do Exército Português. O projecto tem como objectivo “salvaguardar, recuperar e valorizar uma componente significativa do património arquitectónico/ militar integrante das Linhas de Torres Vedras, criando uma rota turística de excelência. Em articulação com outras valências patrimoniais, ambientais, gastronómicas, desportivas e museológicas.”

A Rota Histórica é uma forma divertida e original de entender um pouco da nossa história recente, uma vez que proporciona visitas ao ar livre e percursos entre as fortalezas, incentivando-nos a descobrir um pouco do ambiente em que se edificou esta magnífica obra defensiva. Esta semana, sugerimos que conheçam e explorem as fortalezas das Linhas de Torres Vedras mais próximas da capital, situadas nos concelhos de Loures e Vila Franca de Xira.

Compostas por 152 obras militares, as Linhas de Torres Vedras foram edificadas entre 1809 e 1811 pelo exército anglo-luso com o objectivo de defender Lisboa da 3.ª Invasão das tropas francesas. O sistema defensivo situa-se a Norte da capital, ligando o Oceano Atlântico ao Tejo através de duas linhas de fortes, redutos e baterias.

Loures – Circuito Alrota/Arpim

Reduto da Ajuda Grande

Em Loures, estão reabilitados os Redutos da Ajuda Grande e Ajuda Pequeno e o Forte do Arpim, tendo sido delineado um circuito pedestre entre as duas fortificações. Para preparar a visita, pode descarregar o roteiro em pdf que explica de forma clara e concisa o objectivo defensivo de cada um dos fortes, bem como descreve a sua estrutura arquitectónica.

Forte do Arpim

O circuito oferece “a leitura de um extenso território com magnífica paisagem rural”. Os dois redutos, situados perto da aldeia de Alrota, são um ponto de ligação entre as duas linhas defensivas, pelo que funcionam como posição avançanda, “facilitando ao visitante a leitura territorial deste importante sistema defensivo”. O Forte do Arpim, que possuí canhoeiras em terra com vestígios de madeira (sinal da rapidez com que estas fortalezas foram edificadas) tem ainda o paiol de alvenaria, “peça única devido ao seu excelente estado de conservação.”

A Câmara de Loures disponibilizou, ainda, um vídeo que nos permite visualizar a história destas duas fortalezas e a forma como o município tem dinamizado este circuito.

Vila Franca de Xira – Centro Interpretativo das Linhas Defensivas do Forte da Casa

Ocupando o Reduto n.º 38 da 2.ª linha defensiva – estrutura militar que viria a dar o nome à freguesia – o Centro Interpretativo e o respectivo núcleo museológico, situado no paiol do forte, pretende “dar a conhecer o impacto que as invasões tiveram na população da região e a importância estratégica que teve no âmbito das restantes construções.”

Os Fortes das Linhas de Torres Vedras (I)

Napoleão Bonaparte

Depois da Revolução Francesa em 1789 e de todas as convulsões a que assistiu nos finais do século XVIII, a França assistiu à subida ao poder de um pequeno general corso, Napoleão Bonaparte, que se coroou a sim mesmo como imperador em 1804. Apregoando os princípios revolucionários de Liberdade, Igualdade e Fraternidade Napoleão iniciou uma política expansionista de conquista e domínio da Europa, na qual «o domínio da Península Ibérica era fundamental para travar o forte poder marítimo inglês no Atlântico e nos portos comerciais do Mediterrâneo, assim como o seu poder económico, uma vez que quem dominava economicamente, tinha igualmente a supremacia política na Europa.»

Assim, em 1806 o imperador decretou o Bloqueio Continental, forçando os países continentais a fecharem os seus portos a Inglaterra. Portugal, velho aliado do reino de Sua Majestade, manteve-se neutro e manteve os portos abertos ao comércio inglês, pelo que em 1807 um exército francês comandado pelo general Junot invadiu Portugal. Para assegurar a independência nacional, o príncipe D. João, acompanhado da Família Real e de toda a sua corte, foge de barco para o Brasil, enquanto os franceses avançavam pelo país até à capital.

França e Inglaterra dividem o mundo (caricatura da época)

Este momento marcou o início do período conhecido como Invasões Napoleónicas, três grandes campanhas militares postas em marcha pelo exército francês e ocorridas em três momentos distintos,  1807, a Primeira Invasão, 1809, a Segunda Invasão, e 1810, a Terceira Invasão.

Foi precisamente entre estas duas últimas ofensivas que Arthur Wellesley, chefe das tropas britânicas que em conjunto coms os portugueses defendiam o território nacional, mandou construir um conjunto de fortificações que ficaria conhecido como Linhas de Torres Vedras, «três linhas com um total de 152 redutos e 600 peças de artilharia, um sistema de comunicações com postos de sinais, defendido por 36.000 portugueses, 35.000 britânicos, 8.000 espanhóis e cerca de 60.000 homens de tropas portuguesas não regulares, estendidos ao longo de mais de 88Km – o maior sistema de defesa efectiva na história».

Linhas de Torres

Nas próximas três semanas iremos levá-lo a conhecer o conjunto dos fortes das Linhas de Torres que subsistem e que actualmente estão restaurados e preparados para receber visitantes, espalhados pelos concelhos de Loures, Vila Franca de Xira, Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos, Mafra e Torres Vedras. E assim, vamos desafiar toda a família a viver um pedaço da nossa história mais recente, em locais emblemáticos que podem estar mais perto do que se imagina. Venha connosco!

Forte do Grilo, Torres Vedras

O Convento dos Capuchos em Sintra

Escondido entre a vegetação da Serra de Sintra, o Convento dos Capuchos foi mandado construir em 1560 por D. Álvaro de Castro, filho do Vice-Rei da Índia D. João de Castro. Edificado numa zona de penedos, é um dos exemplares mais interessantes de arquitectura religiosa, pelo seu carácter único de integração na natureza que o envolve.

Foi fundado como Convento de Santa Cruz, e começou com uma comunidade de oito frades capuchos, vindos do Convento da Arrábida. O convento é um espaço pequeno em que sobressai, sobretudo a “pobreza” do edifício, sem elementos decorativos, destacando assim a sua vocação para a vida ascética, cujos principais propósitos eram a vida espiritual e contemplativa através da penitência.

O declive do terreno teve como consequência a construção de um edifício irregular, em que as celas dos monges, de dimensões reduzidas, são escavadas na rocha, articulando-se entre si por uma sucessão de escadas e corredores também talhados nas rochas. A pequena igreja tem como elementos decorativos o magnífico retábulo em mármore e o altar com embutidos, feitos para a comunidade franciscana nos finais do século XVII. Os terrenos em volta do convento eram cultivados pelos frades, que particavam também a pastorícia.

Muitas são as histórias e lendas ligadas ao convento. Para além das que se referem ao seu mais ilustre habitante – Frei Honório, que terá vivido até aos 100 anos de idade – a que mais imprime grandiosidade ao pequeno cenóbio franciscano é a frase atribuída a D. Filipe I, que depois de visitar o espaço em 1581 terá dito “De todos os meus reinos, há dois lugares que muito estimo, o Escorial por tão rico e o Convento de Santa Cruz por tão pobre”.

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o convento foi abandonado e entrou em progressiva decadência. No entanto manteve-se como um símbolo máximo da religiosidade, e é assim que hoje ao vistarmos o espaço podemos sentir a “penumbra do quotidiano” dos frades do Convento dos Capuchos. Percorrendo a igreja, entra-se no coro alto de onde se acede ao corredor das celas, cujas portas de dimensões reduzidas obrigavam os religiosos a executarem a postura de genuflexão para entrar, numa “expressão de humildade perante a intimidade desse local”. No final desse corredor, visita-se o refeitório, vislumbrando a cozinha, passa-se depois à Casa das Águas, e ainda os espaços que teriam albergado a biblioteca, a hospedaria e as enfermarias, entrando por fim na Sala do Capítulo.

Visite o Convento dos Capuchos de Sintra, deixando-se envolver pela quietude e beleza do espaço.

O Castelo dos Mouros

 

Sobranceiro à serra de Sintra, o Castelo dos Mouros é talvez uma das fortificações portuguesas que mais desperta em nós o imaginário medieval. A aura de mistério em que se envolve, isolado e tantas vezes rodeado por nevoeiro, associada às longínquas e heróicas lutas de poder entre árabes e cristãos, faz-nos recuar até ao tempo dos primeiros reis de Portugal.

A estrutura primitiva do castelo foi edificada pelos árabes algures entre os séculos IX e X, integrando depois os domínios da taifa de Badajoz. Embora tenha estado em posse muçulmana até meados do século XII, Sintra foi, por um breve momento, entregue ao rei Afonso VI de Leão e Castela, mas rapidamente caíu nas mãos dos Almorávidas, que dominaram a rica povoação de Sintra até à Reconquista Cristã.

Igreja de São Pedro

Já na época muçulmana o castelo destinava-se sobretudo a defender e vigiar Lisboa e arredores, pelo que depois da conquista da capital por D. Afonso Henriques em 1147, a guarnição do castelo entregou-se voluntariamente (e em definitivo) às tropas cristãs. O jovem monarca mandou então entregar a fortaleza a 30 povoadores, que erigiram no local a Igreja de São Pedro de Canaferrim.

Com o avanço da Reconquista para sul e a consolidação da nacionalidade ao longo dos reinados da Primeira Dinastia, o castelo perdeu a sua importância estratégica e a população que o ocupava deslocou-se progressivamente para Sintra. Nos finais do século XV o espaço intra-muralhas era habitado apenas por alguns judeus, segregados da povoação da vila por ordem régia (e que mais tarde, com os éditos de expulsão, abandonariam por completo a fortaleza).

Votado ao abandono, o castelo entrou em progressiva decadência, e quando se deu o grande terramoto em 1755 a estrutura ficou muito arruinada.

Foi D. Fernando II, rei consorte responsável pela construção do Palácio da Pena, que no século XIX tomou a seu cargo o restauro integral do castelo, devolvendo-lhe a dignidade e imponência de outros tempos.

O Castelo dos Mouros implanta-se sobre um penedo da serra, adaptando-se à morfologia do terreno com as suas muralhas serpenteando por entre as fragas. As muralhas são constituídas por uma cintura dupla com cinco torres, quatro circulares e uma quadrangular, todas cororadas por merlões. Junto à porta de armas vêem-se as ruínas da Igreja de São Pedro, um edifício românico que conversa ainda no interior vestígios de frescos na abóbada. Junto à pequena igreja ergue-se a cisterna árabe, que em tempos abasteceu o palácio da vila.

Visite o Castelo dos Mouros, perca-se neste lugar mágico, contemple a imensidão da Serra de Sintra e percorra as muralhas fazendo uma viagem com mais de mil anos de história.

 

 

125 anos a viver Loures

Neste final de semana propomos-lhe uma viagem até à região saloia para visitar a exposição 125 anos a viver Loures, em exibição na Galeria Municipal Vieira da Silva, situada no Pavilhão de Macau, no Parque da Cidade de Loures. A mostra percorre os 125 anos de história do concelho, «um território vasto, marcado por diferenças profundas, com forte componente rural e uma face urbana cada vez mais vincada». Desta forma, somos convidados a fazer uma «viagem pelo tempo e pelas tradições» do município de Loures, que teve como seu primeiro presidente o historiador Anselmo Braancamp Freire.

A exposição começa por nos transportar até à zona saloia em finais do século XIX, quando o território que compõe o concelho era predominantemente rural, e a  qualidade dos solos e das águas eram propícias à produção agrícola. A quantidade e variedade de alimentos produzidos era tal que a região abastecia a cidade de Lisboa, cujas ruas eram então «inundadas pelo perfume e pelos pregões dos saloios na venda dos seus produtos.»

Depois, percorre o crescimento industrial do concelho – com, por exemplo, uma notável mostra de desenhos da Fábrica de Móveis Olaio e de loiças da Fábrica de Loiça de Sacavém – em contraste com a ruralidade das suas feiras regionais, do espaço da várzea, nunca esquecendo o crescimento populacional, numa primeira fase marcada pela migração de tantos homens e mulheres das zonas mais remotas e interiores do país, e numa segunda fase pela fixação de populações imigrantes.

Destacamos um dos elementos mais curiosos da exposição, a referência a uma importante descoberta arqueológica feita em 1941 na várzea de Loures. Quando da construção de canais naquela zona, foi encontrado pelo arqueólogo G. Zbyszewski um Elephas antiquus. Os vestígios do animal, cuja datação permitiu determinar que percorreu a região há cerca de 82 mil anos, indicavam que havia sido atacado por grupos de caçadores recolectores da região.

Aproveita ainda esta sugestão para passar uma tarde de lazer no Parque da Cidade, um belíssimo espaço ao livre.

Horários da Galeria Municipal Vieira da Silva : Segunda a Sábado das 10h às 13h e das 14h às 18h. Encerra ao Domingo e Feriados.

O castelo de Montemor-o-Velho

Vista do castelo de Montemor-o-Velho (foto de Paulo Fernandes)

Espraiando-se sobranceiro e imponente numa colina na margem direita do Mondego, o castelo de Montemor-o-Velho foi um dos centros defensivos mais importantes da época da Reconquista Cristã.

Foi depois da conquista da cidade de Montemor, por al-Mansur em 991 que se construíu «uma fortaleza de carácter islâmico», e da qual pouco chegou aos nossos dias. Em 1064, com a conquista de Coimbra, também Montemor passou para a posse dos cristãos, transformando-se na principal fortaleza do baixo-Mondego.

O antigo paço das infantas (foto de Paulo Fernandes)

Depois de estar em posse das tropas cristãs, o catselo sofreu algumas obras importantes. Datam desta época o paço mandado edificar por D. Urraca, filha de Afonso VI de Castela e Leão e meia-irmã da Condessa D. Teresa, e a igreja de Santa Maria da Alcáçova, fundada por D. Sesnando, e tranformada cerca de 400 anos mais tarde, no reinado de D. Manuel.

O rei D. Afonso Henriques mandou realizar obras na fortaleza, a que lhe seguiu o exemplo seu filho D. Sancho I. Deve datar dessa época a torre de menagem, e sabe-se hoje que a estrutura integra, no interior, material reaproveitado de construções romanas (o que era comum fazer-se na Alta Idade Média).

Torreões do castelo (foto de Paulo Fernandes)

Nos séculos seguintes, foram construídos os grandes torreões quadrangulares que podemos ver ao longo das muralhas, uma barbacã – um muro anteposto às muralhas, de menor altura do que estas, com a função de defesa do fosso , onde era oferecida a primeira resistência ao agressor – e um alambor – a rampa, muito inclinada, construída junto à base da muralha, que servia para o assalto do castelo pelos atacantes.

O paço real de D. Urraca, que havia sido remodelado pelas filhas de D. Sancho I, transformou-se num típico paço senhorial, e no século XV, foi casa sede do principe D. Pedro, o conhecido Infante das Sete Partidas.  Nos séculos seguintes, manteve-se a importância militar e estratégica deste castelo, chegando a aquartelar cinco mil homens, tendo sido ocupado pelas tropas de Napoleão sob o comando de Junot durante a Guerra Peninsular.

Actualmente, a câmara municipal local dinamiza este espaço, recebendo no recinto, feiras, festivais, concertos e representações teatrais. No espaço do antigo paço das infantas foi construída uma casa de chá, que acolhe os visitantes que queiram disfrutar de um fim de tarde com vista sobre o vale. Aproveite os dias quentes e cheios de sol para fazer uma visita até à vila de Montemor e conhecer um dos mais emblemáticos castelos da Idade Média portuguesa.

Castelo de Montemor-o-Velho (www.igespar.pt)

Portugal Romano

Conímbriga

Depois de, na passada segunda feira, o termos desafiado a visitar Conímbriga, umas das mais importantes e conhecidades cidades romanas do território nacional, hoje sugerimos que conheça sete núcleos arqueológicos, distribuídos entre Trás-os-Montes e o Algarve, que lhe permitirão conhecer melhor o período de ocupação romana da antiga Lusitânia. Entre civitas,  villas e santuários, venha descobrir o Portugal Romano!

Santuário de Panóias, Vila Real

Santuário de Panóias

– Este templo, mandado edificar nos finais do século II, ou inícios do século III, é constituído por três grandes fragas, onde ainda se podem ver vestígios dos pequenos templos que formavam o complexo do santuário. Foi Calpurnius Rufinus, um alto funcionário do governo provincial romano, que aqui introduziu o culto a Serápis, principal divindade do Inferno. Aproveitando certamente o espaço de um anterior culto indígena, Panóias integrava um ritual de iniciação dos mistérios das divindades infernais, com “uma ordem e um ritual precisos”: a matança das vítimas (smepre animais, nunca humanos), a que se seguia o sacrifício do sangue e a incineração dos animais, posteriormente o consumo da carne, depois a revelação do nome da autoridade máxima dos infernos, e por fim a purificação.  Actualmente, o monumento está dotado de estruturas de acolhimento a visitantes, nomeadamente um Centro Interpretativo onde pode marcar uma visita guiada ao espaço. Para saber mais, espreite aqui.

Tongóbriga/Estação Arqueológica do Freixo, Marco de Canaveses

Tongóbriga

– O que começou por ser um castro fortificado foi sendo gradualmente ocupado pelas autoridades romanas até finais do século I, transformando-se numa importante civitas, “com preponderância sobre a região envolvente”. Em Tongóbriga podemos descobrir o forum, um dos maiores em Portugal, construído no início do século II ao tempo do Imperador Trajano, o templo, as termas com jardim exterior e piscina ao ar livre, e a área habitacional que, pese embora a sua ainda reduzida área de escavação, permite já perceber uma cidade de cerca de 3.000 habitantes. Da época posterior à queda do Império Romano, destaca-se a basílica paleo-cristã, no local onde hoje se encontra a igreja matriz do Freixo, que nos séculos V e VI terá sido sede de uma das primeiras paróquias cristãs da então recém-criada diocese do Porto.  Para saber mais, visite o site.

Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, Lisboa

Mosaicos do Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros

– Embora o subsolo da capital seja riquíssimo em vestígios romanos, destaca-se pelas suas características únicas o Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros. Situado no edifício do Millenium bcp, que ocupa um quarteirão da baixa pombalina, este espaço permite-nos “percorrer 2500 anos da história de Lisboa” debaixo de chão. Da época romana possui um complexo industrial com várias cetárias – tanques e poços – que serviam de apoio às fábricas de conservas de peixe salgado, uma vez que aqui se reparavam as ânforas utilizadas para transportar e conservar o peixe, e ainda as instalações dos banhos, de que subsistem três piscinas. Para mais informações, clique aqui.

Ruínas de Tróia, Setúbal

Ruínas romanas de Tróia

– Estendendo-se por quase 2 quilómetros na margem esquerda do Sado, encontra-se “um dos mais produtivos e interessantes centros de conserva do Mediterrâneo Ocidental”. Esta (então) ilha no estuário do rio fazia parte de uma complexa rede comercial centrada no Mediterrâneo que garantia o fornecimento de “produtos e iguarias do mar a todos os grandes núcleos populacionais do Império”, incluindo Roma. Estas ruínas, que são a zona de escavação arqueológica mais antiga do país, desvendam-nos o poder comercial e produtivo do Império romano; em torno da villa industrial, onde encontramos os tanques de salmora de peixe, bivalves e crustáceos, nasceu gradualmente um aglomerado urbano que compreende algumas domus, termas, necrópoles, um mausoléu e uma basílica paleo-cristã. Aproveite uma visita mais a sul para conhecer este significativo complexo arqueológico, agora reaberto ao público com um percurso renovado.

Miróbriga, Santiago do Cacém

Vista aérea de Miróbriga

– Habitado desde, pelo menos, a Idade do Ferro, este povoado fortificado entrou na esfera de influência romana a partir do século II a. C.. No século I d. C. foi objecto de um profundo projecto de ampliação urbanística, com a construção do forum e das termas, o que permitiu o crescimento populacional. Foi dotado de assembleia ou senado local, com calendário religioso, festivo e lúdico, o que atesta a sua importância. No espaço das ruínas destacam-se o hipódromo, os banhos, o forum local, as domus, e um aglomerado de insulae, com respectivas lojas e tabernae. Para saber mais, espreite aqui.

Villa de Milreu, Estói

Villa de Milreu

– Edificada no século III d. C., esta magnífica villa é constituída por uma casa senhorial de grandes dimensões, instalações agrícolas, termas e um santuário aquático – ou ninfeu – que se evidencia ser de época romana tardia (um templo de galeria). Destaca-se sobretudo pelo magnífico programa decorativo, com ricos mosaicos que representam fauna marinha e motivos geométricos, jardins faustosos e inúmeros exemplares de estatuária. A estrutura é, sobretudo, indicativa de riqueza e vincada “romanidade” dos seus proprietários. Para obter mais informações, clique aqui.