Este mês no Arte em toda a parte: Hieronymus Bosch

Embora tenha sido um dos mais importantes nomes da pintura flamenga dos scullsyazsllaass XV e XVI, pouco se sabe sobre a vida do pintor Jeroen van Aeken, que ficou conhecido como Hieronymus Bosch (numa alusão à sua terra natal).

Nasceu na Flandres, em ‘s-Hertogenbosch, ou Den Bosch, actualmente na Holanda, cerca de 1450, tendo vivido nesta cidade durante toda a sua vida. Era oriundo de uma família de pintores, e provavelmente foi na oficina do avô que aprendeu o ofício, pela mão do pai ou de um dos tios. Tornou-se um pintor muito popular ainda em vida, e fez parte da mais respeitável irmandade de Den Bosch, a Irmandade de Nossa Senhora. Faleceu em 1516. Bosch não deixou diários, cadernos de estudos ou cartas, pelo que nada se conhece sobre a personalidade do pintor, ou a evolução dos seus estudos ou dos seus pensamentos sobre a arte da pintura.

É sobretudo conhecido pelos seus trípticos pinturas repartidas em três tábuas ou painéis – que retratam sempre temas morais e bíblicos, repletos de alegorias e sátiras, figuras humanas que personificam pecados, vícios e virtudes. Em Portugal, o Museu Nacional de Arte Antiga exibe uma das obras mais conhecidas de Hieronymus Bosch, As Tentações de Santo Antão, de onde foi retirado o curioso pássaro “patinador” que colocámos este mês no header do nosso blog.

Tentações de Santo Antão

Nesta obra, Bosch pintou três sequências da experiência eremítica de Santo Antão, “numa visão do Mundo invadida pelo Mal”, povoadas por peixes voadores, pássaros que devoram rãs, ratso gigantes, dragões, veados vestidos de bispos, animais fantásticos, homens loucos, mulheres devassas, labaredas que consomem aldeias, rios de lama, demónios infernais, o pecado e a loucura em contraponto com a fé inabalável do santo. Na sua essência, a obra traduz «medo e inquietação que tocam a alma e a natureza humanas.»

Pela sua originalidade, As Tentações de Santo Antão merecem, só por si, uma visita ao Museu de Arte Antiga.

pormenor d' As tentações de Santo Antão

Este mês no Arte em toda a parte: Michelangelo

Michelangelo Buonarroti, ou simplesmente Michelangelo foi um dos mais geniais artistas da história da Humanidade. Arquitecto, pintor, escultor e poeta, trabalhou durante mais de 70 anos entre Florença, na corte dos poderosos Medici, e Roma, na corte papal.

Nasceu em Caprese em 1475, e embora a sua família tivesse prestígio, não era abastada. O pai mandou-o estudar para que se tornasse um homem de letras, mas Michelangelo evidenciou um talento acima da média para as artes e assim começou a estudar no atelier de Ghirlandaio, um dos mais reputados mestres de pintura de Florença. Desde cedo, Michelangelo destacou-se pela perfeição e genialidade dos seus trabalhos, desafiando e ridicularizando outros artistas da época; é conhecida a sua constante disputa com Leonardo da Vinci, 20 anos mais velho. Morreu em 1564, já idoso, tendo sido homenageado pela população de Florença como “pai e mestre em todas as artes”. Ainda em vida foi chamado Il Divino numa demonstração de respeito dos seus contemporâneos, que o consideravam já o maior de entre os grandes.

Entre as suas obras primas estão a Pietá, símbolo da perfeição renascentista, executada quando o artista tinha apenas 23 anos, a estátua de David, que retrata o pastor enquanto se prepara para defrontar o gigante Golias e que viria a ser considerada a imagem do corpo humano perfeito, o túmulo do Papa Júlio II e os túmulos de Lorenzo e Giuliano di Medici, a Biblioteca Laurentina – um dos mais significativos edifícios maneiristas, de onde se destacam as escadas helicoidais –  e a sua obra máxima como arquitecto, a Praça e a Basílica de São Pedro, a emblemática sede papal, inovadora em termos de linguagem, estrutura e escala e já descrita como “o símbolo sublime da beleza”.

Em 1505, Buonarroti é convidado pelo novo Papa Júlio II a ir a Roma para esculpir o túmulo papal. No entanto, em 1508 o Papa atribui-lhe um novo trabalho: pintar o tecto da Capela Sistina, no Vaticano, com a representação dos doze apóstolos. No início, Michelangelo recusou, uma vez que se considerava um escultor, mas acabaria por aceitar a tarefa, na condição de pintar um programa muito mais ambicioso, e segundo contam os seus biógrafos, como “melhor lhe aprovesse”. Desta persistência resultou uma das mais magníficas obras de arte de todos os tempos.

Pintadas a fresco, mais de 300 figuras decoram o tecto da capela papal como uma única composição, num imaginário que recria cenas do Antigo Testamento que relatam a Criação do Mundo e a história de Noé, intercaladas com as imagens de Profetas e das Síbilas, dos Antepassados de Cristo e 20 Ignudi (ou homens nus) pintados como figuras de suporte. No topo da capela, o conjunto é rematado pela terrífica cena do Juízo Final, onde Cristo preside de forma implacável ao juízo dos pecadores. Durante os 4 anos em que pintou a Capela Sistina, Michelangelo ganhou em Roma a reputação de artista difícil, que não gostava de trabalhar em conjunto e não tolerava aprendizes, de humor irrascível e intransigente, um pintor genial que resguardava o seu trabalho de forma doentia não o mostrando a ninguém senão ao Papa – dizia o próprio Júlio II que não se conseguia “fazer nada dele”. Il Divino viria a descrever o trabalho como “tortuoso”, dizendo ao terminar a obra, e apesar de ter apenas 37 anos, que “os amigos não reconhecem o velho em que me tornei”.

A obra escolhida este mês para receber os visitantes do Arte em toda a parte é o fresco da Criação do Sol e da Lua. Numa composição imponente Michelangelo mostra-nos um Deus enérgico e poderoso rodeado de anjos que, ao quarto dia, cria de modo firme e determinante o Sol e a Terra, pintado em cores quentes e com uma ideia de movimento tão intensa que quase nos faz sentir a força do vento.

Para uma visita virtual ao magnífico espaço da Capela Sistina, clique aqui.

Arte Antiga fora de horas

Na Noite dos Museus, o Museu Nacional de Arte Antiga  promove um programa completo, com início às 19h30, que começa com um jantar livre no bar do museu.

Painéis de São Vicente (pormenor)

Pouco depois, inicia-se nos jardins o Pictionary no MNAA, uma acção de ambient media desenvolvida em colaboração com a Ogilvy para o jogo Pictionary, da Mattel. A actividade consiste na exposição de duas réplicas inacabadas das obras Retrato de D. Sebastião, de Cristóvão de Morais, e Retrato de D. Mariana d’Áustria, de Juan Mazo, exibidas amanhã na Sala dos Passos Perdidos do museu, convidando os participantes a terminar a obra. haverá também um Campeonato de Pictionary, onde os participantes serão desafiados a completar um dos Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves.

Não perca às 21h30 o concerto dos Pequenos Violinos, e às 22h assista à inauguração da exposição temporária M & M – MNAA & MUDE/ MUDE & MNAA. Artes e Design, uma parceria entre a Arte Antiga e o Museu do Design que tem por objectivo fazer compreender a interacção conceptual entre o design contemporâneo e a história das artes.

Vá até às Janelas Verdes e passe uma noite de sábado diferente.

Esta semana

o Arte em toda a parte será dedicado à arte manuelina. Roteiros, actividades e sugestões sobre um dos períodos artísticos mais ricos da história da arte portuguesa, que vai muito para além da simbólica marítima e tem exemplares espalhados em todos os continentes.

Imagem de um rei e do seu poder imperial, a arte manuelina é carregada de simbolismo, riqueza de ornamento, novidades em termos de estruturas arquitectónicas, formas de pintar, modos de esculpir, e teve influências no urbanismo – de que o Bairro Alto é o melhor exemplo como a primeira urbanização moderna de Lisboa – e na literatura. 

Por isso, resolvemos ao longo da semana propor-lhe uma “viagem no tempo” até há 500 anos atrás, para que percorra, descubra ou re-descubra um dos mais interessantes reinados da história portuguesa. Esperamos que se divirta!

Portal principal do Mosteiro dos Jerónimos (fotografia - http://www.igespar.pt)

Este mês no Arte em toda a parte: Marc Chagall

Bride with a fan, Marc Chagall, 1911

 

Marc Chagall é considerado um dos maiores artistas judeus do século XX.

O pintor, nascido na Bielorrússia em 1887 e cujo nome verdadeiro era Moshe Zakharovitch Shagalov, foi um dos primeiros modernistas, estando ligado aos movimentos do Cubismo, Simbolismo e Fauvismo. 

Fez a sua formação entre São Petersburgo, Berlim e Paris, e em 1917 tornou-se num particpando activo, tendo regressado à Rússia nesse perúodo. Em 1923 volta para França, onde se estabeleceu com a mulher. Durante a 2.ª Guerra Mundial, com a ocupação nazi e a deportação e morte de milhares de judeus nos campos de concentração, emigrou para os Estados Unidos. Muitoas anos depois voltaria para França, onde morreu em 1985.

Num estilo muito próprio, Marc Chagall baseia a sua arte moderna – em termos de traço, cor e representação – na cultura popular judaica da Europa de Leste em que foi criado.

Foi um pintor polivalente, tendo trabalhado também em ilustração, cerâmica, gravura, tapeçaria e vitral.

A obra escolhida este mês para receber os visitantes do Arte em toda a parte é um quadro pintado por Chagall em 1911, em Paris, intitulado Bride with a fan (Noiva com leque, ou Noiva do leque) e está actualmente no Metropolitan Museum of Art de Nova York.

Este pequeno quadro a óleo (de apenas 45 cm x 38 cm) representa, possivelmente, a noiva e futura mulher Bella – a mulher que tantas vezes é representada nas suas composições de forma apaixonada – numa paleta quase uniforme, em que o azul domina a composição.