O Convento dos Capuchos em Sintra

Escondido entre a vegetação da Serra de Sintra, o Convento dos Capuchos foi mandado construir em 1560 por D. Álvaro de Castro, filho do Vice-Rei da Índia D. João de Castro. Edificado numa zona de penedos, é um dos exemplares mais interessantes de arquitectura religiosa, pelo seu carácter único de integração na natureza que o envolve.

Foi fundado como Convento de Santa Cruz, e começou com uma comunidade de oito frades capuchos, vindos do Convento da Arrábida. O convento é um espaço pequeno em que sobressai, sobretudo a “pobreza” do edifício, sem elementos decorativos, destacando assim a sua vocação para a vida ascética, cujos principais propósitos eram a vida espiritual e contemplativa através da penitência.

O declive do terreno teve como consequência a construção de um edifício irregular, em que as celas dos monges, de dimensões reduzidas, são escavadas na rocha, articulando-se entre si por uma sucessão de escadas e corredores também talhados nas rochas. A pequena igreja tem como elementos decorativos o magnífico retábulo em mármore e o altar com embutidos, feitos para a comunidade franciscana nos finais do século XVII. Os terrenos em volta do convento eram cultivados pelos frades, que particavam também a pastorícia.

Muitas são as histórias e lendas ligadas ao convento. Para além das que se referem ao seu mais ilustre habitante – Frei Honório, que terá vivido até aos 100 anos de idade – a que mais imprime grandiosidade ao pequeno cenóbio franciscano é a frase atribuída a D. Filipe I, que depois de visitar o espaço em 1581 terá dito “De todos os meus reinos, há dois lugares que muito estimo, o Escorial por tão rico e o Convento de Santa Cruz por tão pobre”.

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o convento foi abandonado e entrou em progressiva decadência. No entanto manteve-se como um símbolo máximo da religiosidade, e é assim que hoje ao vistarmos o espaço podemos sentir a “penumbra do quotidiano” dos frades do Convento dos Capuchos. Percorrendo a igreja, entra-se no coro alto de onde se acede ao corredor das celas, cujas portas de dimensões reduzidas obrigavam os religiosos a executarem a postura de genuflexão para entrar, numa “expressão de humildade perante a intimidade desse local”. No final desse corredor, visita-se o refeitório, vislumbrando a cozinha, passa-se depois à Casa das Águas, e ainda os espaços que teriam albergado a biblioteca, a hospedaria e as enfermarias, entrando por fim na Sala do Capítulo.

Visite o Convento dos Capuchos de Sintra, deixando-se envolver pela quietude e beleza do espaço.

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