Como fazer um herbário?

Os herbários são uma forma de coleccionismo e catalogação de espécies vegetais que são prensadas e secas entre folhas de papel. As plantas estão acompanhadas pela sua identificação, caracterização do seu habitat, sendo também designado o local onde foram apanhadas.

Estas colecções de plantas estão em constante crescimento e quando devidamente guardadas podem durar centenas de anos.

Ainda que tenha sido em Itália, no século XVI, que surgiram os primeiros herbários, foi só no século XVIII, com Lineu, que esta forma de coleccionar e estudar plantas foi popularizada por toda a Europa.

Uma das mais antigas experiências de herborização em Portugal foi iniciada ainda em finais do século XVIII pelo italiano Domingos Vandelli, docente da cadeira de História Natural na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Este scientista foi também o director do Gabinete e Jardim Botânico da Quinta de São Bento, em Coimbra.

Parte da sua obra foi trazida pelo próprio para o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda e a outra parte enviada por Vandelli a Lineu, encontrando-se presentemente no Herbário de Lineu da Linnean Society, em Londres e no Muséum National d’Histoire Naturelle de Paris.

Lápis & Pinceis

E se nestas férias de verão iniciares o teu Herbário? Este poderá ser um projecto que te ocupe vários anos e que poderás ir desenvolvendo em cada passeio que dês.

Necessitas de várias amostras de plantas, que deverás identificar com o local de proveniencia, a data da recolha e o nome da planta – que poderás procurar num catálogo de plantas.

Faz um monte com umas cinco folhas de jornal velho e posteriormente coloca sobre elas uma folha de papel branco grosso sobre a qual colocarás as plantas individualmente. Não te esqueças de escrever a identificação das plantas e o local e data da recolha com um lápis no papel branco. Coloca sobre tudo mais cinco folhas de papel de jornal.

Coloca esta pilha sobre uma mesa ou secretária e por cima uma pilha de livros pesados e deixa passar uma semana. Quando desmontares esta pilha, as plantas deverão estar secas e poderão ser coladas a uma cartolina e metidas dentro de uma mica transparente que poderás guardar num dossier.

Podes também espreitar os sites que serviram de inspiração para esta actividade aqui e aqui.

Google Art Project

Em parceria com alguns dos mais importantes museus do mundo, o Google criou um motor de busca para obras de arte, o Google Art Project.  Desta forma simples – à distância de um clique – qualquer pessoa pode, através desta base composta por mais de 1000 obras de 400 artistas, viajar pelo mundo da arte.

O site permite visistas virtuais a museus como o The Metropolitan Musem, a Galeria Uffizi ou o Museo Reina Sofia, criar uma galeria personalizada online com todas as obras favoritas, ver e explorar ao pormenor todas as peças graças a imagens de alta definição, acompanhadas por fichas-base das obras.

Divirta-se!

Clube dos Pequenos Descobridores, na Doca dos Olivais

Integrado no evento, O Festival dos Oceanos, este clube convida à descoberta, através de actividades e ateliês, do mundo dos oceanos e da história das descobertas  portuguesas pelo Mundo.

O espaço apela a uma viagem ao tempo das descobertas pois o Clube dos Pequenos Descobridores encontra-se instalado na Caravela Vera Cruz, uma réplica das antigas caravelas portuguesas.

O clube funcionará na Doca dos Olivais até 13 de Agosto.

O mundo fantástico de Bosch

Este quadro de Hyeronimus Bosch retrata São João isolado em Patmos a escrever o Livro da Revelação do Apocalipse – o livro que o Santo tem colocado sobre o colo.

Olha para a obra e observa a noção de profundidade, com a apresentação das imagens em vários planos, tão diferente da forma como os fundos eram representados em época medieval. Repara também no contraste cromático entre o fundo da imagem – com um céu carregado de núvens – e as figuras apresentadas em primeiro plano.

A nível temático observa a relação entre o sagrado, presente na imagem da Nossa Senhora, do anjo e do São João, e do profano, representado pelo corvo e pelo estranho ser – meio homem, meio insecto – que se pode ver atrás do Santo.
Esta relação, apresentada de forma onírica e fantástica é uma constante na obra de Hyeronimus Bosch, usualmente considerado como o primeiro pintor fantástico.

Lápis & Pincéis:

Imprime a folha anexa e pinta a imagem  do quadro. Para que o faças sugerimos que utilizes lápis ou lápis de aguarela que tornarão os esfumados das nuvens mais simples de fazer. Podes descarregar a actividade aqui.

Uma visita a Bosch

Escrito pelo jornalista Pedro Teixeira Neves, o romance Uma visita a Bosch tem como ponto de partida a visita de um misterioso visitante encapuçado ao afamado pintor Jheronimus van Aeken, com o objectivo de lhe encomendar «uma obra que terá como supremo objectivo redimir a humanidade dos pecados da carne e do espírito».

O escritor recria assim, de forma empolgante e bem estruturada, a história vertiginosa da execução do díptico do Juízo Final, o ambiente da Flandres no início do século XVI, a vida  e o fantástico e bizarro processo de criação dos quadros do pintor Jheronimus Bosch.

Uma sugestão de leitura com arte!

 

Uma visita a Bosch, Temas e Debates, 2003/2009

Este mês no Arte em toda a parte: Hieronymus Bosch

Embora tenha sido um dos mais importantes nomes da pintura flamenga dos scullsyazsllaass XV e XVI, pouco se sabe sobre a vida do pintor Jeroen van Aeken, que ficou conhecido como Hieronymus Bosch (numa alusão à sua terra natal).

Nasceu na Flandres, em ‘s-Hertogenbosch, ou Den Bosch, actualmente na Holanda, cerca de 1450, tendo vivido nesta cidade durante toda a sua vida. Era oriundo de uma família de pintores, e provavelmente foi na oficina do avô que aprendeu o ofício, pela mão do pai ou de um dos tios. Tornou-se um pintor muito popular ainda em vida, e fez parte da mais respeitável irmandade de Den Bosch, a Irmandade de Nossa Senhora. Faleceu em 1516. Bosch não deixou diários, cadernos de estudos ou cartas, pelo que nada se conhece sobre a personalidade do pintor, ou a evolução dos seus estudos ou dos seus pensamentos sobre a arte da pintura.

É sobretudo conhecido pelos seus trípticos pinturas repartidas em três tábuas ou painéis – que retratam sempre temas morais e bíblicos, repletos de alegorias e sátiras, figuras humanas que personificam pecados, vícios e virtudes. Em Portugal, o Museu Nacional de Arte Antiga exibe uma das obras mais conhecidas de Hieronymus Bosch, As Tentações de Santo Antão, de onde foi retirado o curioso pássaro “patinador” que colocámos este mês no header do nosso blog.

Tentações de Santo Antão

Nesta obra, Bosch pintou três sequências da experiência eremítica de Santo Antão, “numa visão do Mundo invadida pelo Mal”, povoadas por peixes voadores, pássaros que devoram rãs, ratso gigantes, dragões, veados vestidos de bispos, animais fantásticos, homens loucos, mulheres devassas, labaredas que consomem aldeias, rios de lama, demónios infernais, o pecado e a loucura em contraponto com a fé inabalável do santo. Na sua essência, a obra traduz «medo e inquietação que tocam a alma e a natureza humanas.»

Pela sua originalidade, As Tentações de Santo Antão merecem, só por si, uma visita ao Museu de Arte Antiga.

pormenor d' As tentações de Santo Antão