A arte dos faraós

A arte egípcia é uma arte religiosa e política e por isso retrata deuses, faraós, o Nilo e o quotidiano dos antigos egípcios, uma vez que eles acreditavam que este mundo era uma imagem da vida que existia após a morte.
É uma arte harmoniosa, com muitos símbolos, e representa sobretudo as relações de poder – tanto o poder político como o religioso – o que é visível na relação entre o tamanhos das várias “personagens” representadas nas pinturas e baixos-relevos. Assim, o faraó será sempre a maior figura nas representações bidimensionais e a que será representada com estátuas de grandes dimensões.
A nível de estilo é uma arte muito característica e bastante rígida, obedecendo não só a essa hierarquização de tamanhos, mas também à lei da frontalidade. Assim, o corpo humano é representado através de duas perspectivas: os olhos e o torso são representados vistos de frente, enquanto que a cabeça e os membros são representados de lado.
Estas normas rígidas fizeram com que ao longo dos séculos as características dominantes da arte egípcia pouco tivessem variado, mantendo a sua essência – a de uma arte para a eternidade.

O significado das cores na arte egípcia

A arte egípcia era, também, uma arte muito colorida. As próprias casas onde as pessoas viviam e os templos eram cobertos de cor, e algumas teorias defendem que a famosa Esfinge deveria ter sido colorida na época em que foi erguida. Consegues imaginar o impacto que esses monumentos teriam na paisagem do deserto?
Cada uma das cores tinha, para os egípcios, um significado diferente. Assim, para além das imagens e dos textos que cobriam as paredes, as próprias cores que lhes davam vida tinham um significado simbólico próprio. Em baixo podes consultar este pequeno “dicionário” de cores:
Preto: Conseguido a partir do carvão estava associado à noite e à morte, mas também representava as terras férteis do Nilo. Era usado para pintar as sobrancelhas, olhos, perucas e bocas
Branco: Simbolizava a pureza, as coisas sagradas e a verdade. Usavam-no para pintar os objectos rituais, as vestes, as casas, flores e templos.
Vermelho: Esta cor tanto podia representar a energia e a vitória, sendo por exemplo a cor da coroa do Baixo-Egipto, como podia representar algo de nefasto, sendo usado para representar os olhos e cabelos do deus Seth. Os corpos dos homens eram também pintados a vermelho.
Amarelo: Cor do sol e do ouro, simbolizava a eternidade e era usado para representar os deuses, cuja pele e ossos se pensava serem feitos de ouro.
Verde: Simbolizava a vegetação, a vida e era também usado para representar a pele do deus Osíris.
Azul: Símbolo da criação, era usado nas representações do rio Nilo, das inundações, do céu e pensava-se que os cabelos dos deuses eram feitos de uma pedra azul chamada lapis-lazuli.

A temática

Os temas mais utilizados na arte egípcia são, sem dúvida, os deuses e o faraó. Como não tinham conhecimentos científicos suficientes, os antigos egípcios procuravam explicar os fenómenos naturais através de mitos, ou seja, histórias que dessem um sentido àquilo que não conseguiam entender, como as trovoadas, a noite e o dia, a morte, etc.

 

O mito do céu e da terra

Uma dessas histórias conta que um dia Shu, deus do ar, e Tefnut, deusa da humidade, tiveram dois filhos gémeos, Geb, o deus da terra e Nut, a deusa do céu.
Como os dois irmão se tinham enamorado um do outro, Shu resolveu separa-los. Ao afastar os seus corpos unidos num abraço, criou o céu e a terra.
Geb é representado na arte egípcia como um homem deitado, apoiado num cotovelo e com um joelho flectido, representando as montanhas e os vales da terra, por vezes com folhas desenhadas na pele. As suas cores são o verde, em alusão às colheitas, e o negro, que representa a fértil lama do rio Nilo. Não só é responsável pelas colheitas, como por guiar os mortos até ao céu.
Sobre o corpo de Geb está disposta Nut, sua irmã e esposa.
Ela é a deusa do céu, a mãe dos deuses, e pode ser representada como uma mulher esguia, cujo corpo coberto por estrelas forma o arco celeste, tocando a terra com os pés e com a ponta dos dedos das mãos. Os pés e as mãos marcam os 4 pontos cardeais.
Shu é representado a separar os dois irmãos suportando nos braços o corpo da filha.
Esta separação foi ordenada por Rá, o deus sol, que terá pedido a Shu para separar os dois amantes, proibindo Nut de conceber filhos em qualquer dos 360 dias do calendário egípcio. Desesperada, esta pediu então auxílio a Thot, o deus da sabedoria. Este ardilosamente conseguiu criar 5 novos dias a partir da luz da lua, nos quais Nut terá dado à luz quatro filhos, Osiris, Isis, Seth e Nephthys. Desta forma o ano passou a ter 365 dias.
Segundo outro mito, Nut dá á luz todas as manhãs o deus sol, criando o dia, que viaja ao longo do seu corpo até chegar por fim, ao pôr do sol, à boca de Nut, onde desaparece, para renascer na manhã seguinte.

Lápis & Pincéis

Agora que já aprendeste algumas coisas sobre a arte no antigo Egipto e que já conheces um dos seus mitos mais belos, conta a história de Nut e Geb. Só que em vez de fazeres um desenho ilustrativo ou escreveres uma história, sugerimos que cries uma banda-desenhada usando a lei da frontalidade e o dicionário de cores para dares significado às imagens. A ficha desta actividade pode também ser descarregada aqui.

4 thoughts on “A arte dos faraós

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