O mosteiro jerónimo de Belém

O claustro do Mosteiro dos Jerónimos (imagem http://www.igespar.pt)

Foi o Infante D. Henrique quem mandou construir cerca de 1460, em Belém, que então era uma praia longe da cidade, uma capela onde os marinheiros e viajantes pudessem rezar. Cerca de quarenta anos mais tarde, o rei D. Manuel deu esta pequena igreja aos frades de São Jerónimo, e começou a sua ampliação. O projecto era grandioso, e incluía a construção de um mosteiro para os frades. Uma parte deste edifício seria uma ala palaciana, destinada ao próprio rei, e a igreja seria o panteão real. E se já acham que o Mosteiro dos Jerónimos é grande, lembrem-se que o plano inicial era cerca de quatro vezes maior do que a obra efectivamente construída, tendo quatro claustros projectados! As obras começaram sob a direcção de mestre Boitaca, que ainda rasgou o portal principal (que não é o portal maior, voltado para o rio, e sim o portal que fica na direcção do altar). Mas Boitaca foi substituído a partir de 1517 por João de Castilho, o autor do magnífico portal Sul, e a quem devemos a maior parte da obra construída no mosteiro. Frente ao portal principal estende-se um longo edifício paralelo ao rio Tejo, que tem cerca de 200 metros de comprimento, e cujo piso térreo estava terminado em 1516. Não se sabe bem qual seria a sua finalidade, mas a galeria inferior serviria talvez como armazém para as mercadorias vindas da Índia e recebidas no cais do Restelo. No piso superior ficaria o palácio (ou paço) real. Mas este palácio nunca chegou a existir, e os frades acabaram por instalar os seus dormitórios no piso superior. De qualquer forma, o edifício actual foi muito alterado entre 1867 e 1878. O edifício do século XVI não tinha as torres que se levantam diante do Museu da Marinha; a igreja, por seu lado, não tinha a janela redonda (rosácea) sobre o portal principal, e a torre sineira original tinha uma cobertura em forma de pirâmide.

Ainda que a parte mais visitada do mosteiro seja a igreja, o claustro merece, só por si, uma visita demorada. É, pois, este magnifíco espaço da arquitectura manuelina que sugerimos que descubra esta semana, fazendo um percurso guiado pelos simbólicos elementos decorativos, cujo roteiro pode descarregar para impressão aqui.

Poderão também descarregar o texto da Dr.ª Sílvia Leite,  que serviu de base para a elaboração deste Roteiro, aqui.

O desenho primitivo do claustro deve-se também ao mestre Diogo de Boitaca, que projectou o andar térreo coberto por abóbada de cruzaria de ogivas entre 1514-1515. Mas em 1517 é já João de Castilho quem continua a obra até à quase total conclusão do espaço, que deixou a obra em 1540, ficando a construção das alas norte e oeste a cargo do arquitecto Diogo de Torralva.

De planta quadrada, reproduzindo a imagem tradicional da Cidade de Deus ou a Jerusalém Celeste, o claustro divide-se em dois pisos. Ao percorrer o piso inferior, pode ver nas paredes uma série de medalhões onde foram esculpidos os instrumentos da Paixão de Cristo e símbolos alusivos ao Reino, à coroa portuguesa, à Casa Real e ao próprio D. Manuel. No piso superior, onde se situavam os aposentos reais, descubra os inúmeros nichos que decoram as paredes – pequenas cavidades feitas para propositadamente ali se exporem estátuas – com imagens de santas e santos e personificações das Virtudes, como a Justiça, a Temperança ou a Fortaleza.

A escolha destas imagens não era aleatória. Se no piso térreo, os Instrumentos da Paixão de Cristo se relacionavam com a espiritualidade que era esperada dos monges Jerónimos e os convidava à meditação sobre os Evangelhos e à oração, as Virtudes e os santos escolhidos para decorar o piso superior representavam exemplos de virtude moral.

Originalmente, a zona central do claustro era um jardim que recriava a ideia bíblica do Paraíso. Ou seja, ao construir este espaço fechado onde corria água e se espalhavam árvores de fruto, o mosteiro oferecia aos seus monges um local único onde estes podiam orar, ler e meditar em silêncio. Numa das extremidades do claustro pode admirar a Fonte do Leão, que servia para que os monges lavassem as mãos antes de se dirigirem ao refeitório. Segundo a tradição, qualquer pessoa pode pedir a realização de um desejo secreto, pensando nele ao mesmo tempo que coloca a mão sobre a pata do leão.

Fonte do Leão, claustro do Mosteiro dos Jerónimos (imagem http://www.igespar.pt)

One thought on “O mosteiro jerónimo de Belém

  1. Dever-se-ia dizer Mosteiro de S. Jerónimo em Belém, ou Mosteiro Hieronimita de Belém. A forma popular “Mosteiro dos Jerónimos” também é comum.

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