O Último Cabalista de Lisboa

Escrito por Richard Zimler em 1996, o romance O Último Cabalista de Lisboa descreve um dos momentos mais terríveis (e também pouco conhecidos) da história portuguesa: o massacre de milhares de judeus e a conversão forçada de outros tantos em 1506, quando reinava D. Manuel.

Como nos descreve Margarida Branco «esta história não é ficção – trata-se de uma daquelas situações em que a realidade já é suficientemente alucinante…». O Último Cabalista de Lisboa é Abraão Zarco, tio de Berequias, o narrador da história, que foi assassinado de forma invulgar no dia do massacre dos judeus, dentro da sua própria casa, na Rua de São Pedro, situada no coração da Judiaria Pequena de Lisboa (destruída durante o terramoto de 1755). «Para Berequias, a morte do tio representa não só a perda de um familiar próximo e muito estimado, mas também o fim de uma fonte de sabedoria inestimável – a cabala, escola filosófica judaica, que na época constituía um importante veículo de instrução. Apercebemo-nos ao longo da leitura que a população judaica de Lisboa era mais instruída do que a população cristã, em que poucos saberiam ler. Em busca da verdade, na qual se baseia a sabedoria da cabala, consubstanciada na figura do tio, Abraão Zarco, Berequias percorre a cidade de lés a lés, por ruas que hoje já não existem, como as ruas da Judiaria Grande, onde agora está a Baixa, e por outras que ainda conseguimos reconhecer. Vemos os Olivais e Marvila com as suas quintas, Belém e o seu grande Mosteiro em construção, o Bairro Alto e as suas casas nobres, passamos através de portas da cerca fernandina, vamos ao Rossio e ao Largo de São Domingos, ao Limoeiro e à Sé. Assistimos a cenas de terror descritas com uma sensibilidade extraordinária.» (@ Ler por aí)

O Último Cabalista de Lisboa é uma referência da literatura, uma estória da história que nos apaixona e prende através do relato intenso e bem conseguido – e bastante rigoroso em termos de enquandramento histórico – de uma alucinante viagem pela Lisboa de Quinhentos em busca da verdade. Para ler.

O Último Cabalista de Lisboa, Richard Zimler, ed. Leya

2 thoughts on “O Último Cabalista de Lisboa

  1. Recomendo a leitura a todas as pessoas e em particular aos Portugueses. Como livro não fica a dever nada ao “Em nome da Rosa”. E como mensagem, importa não esquecer os que foram assassinados. Nunca devemos abdicar de cultivar a tolerância.

    • Garcia, é bem verdade o que dizes. Além de um excelente romance histórico, foi a primeira obra a lembrar os judeus injustamente massacrados naquela Páscoa, fazendo-o primeiro que os manuais de história.

      Obrigada pelo teu comentário e por nos acompanhares.

      beijos grandes

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