Museus em manuelino

A Lisboa dos Descobrimentos e do reinado de D. Manuel sucumbiu, em grande parte, ao terramoto de 1755. O sumptuoso palácio do rei, onde hoje está a Praça do Comércio, foi destruído, nada restou do magnífico Hospital Real de Todos-os-Santos, que se situava no Rossio, ou dos inúmeros conventos e palácios construídos pelos melhores arquitectos da corte de D. Manuel e decorados com pinturas e tapeçarias, muitas delas pagas com os lucros do comércio da pimenta e da canela. As ruas sinuosas que são desenhadas e descritas em mapas e literatura da época foram substituídas pela cidade mandada construir pelo Marquês de Pombal, e delas temos apenas eco no Bairro Alto ou nas encostas que sobem ao Castelo.

Para que possa ter uma ideia mais exacta de como era a capital do Império Português, uma cidade rica, colorida, com prédios de três e quatro andares com arcadas a proteger as lojas, vá até ao Museu da Cidade e acompanhe a história da cidade, desde os tempos pré-históricos até ao século XX, dando especial atenção à Sala da Maqueta e Multimédia. Aqui pode encontrar uma grande maqueta que é uma pormenorizada e interessante reconstrução da Lisboa antes do terramoto de 1755. O Museu disponibiliza ainda um inovador sistema multimédia 3D que faz a reconstituição virtual de várias zonas da cidade:

Convento de São Domingos e Hospital Real de Todos-os-Santos, reconstituição 3D, Museu da Cidade

 

 No Museu Nacional de Arte Antiga pode apreciar uma das maiores colecções portuguesas de arte do século XVI. No grande espaço das Janelas Verdes, sobranceiro ao rio, pode conhecer ou revisitar obras manuelinas emblemáticas, como a Custódia de Belém, peça magistral da ourivesaria manuelina mandada fazer pelo próprio rei para oferecer ao Mosteiro dos Jerónimos, ou a belíssima pintura do Inferno. Mas a vasta colecção do museu oferece-lhe também a possibilidade de ver algumas obras de arte europeias executadas na época de D. Manuel. Destas destaca-se sem dúvida impressionante obra pintada por Hieronimus Bosch, As Tentações de Santo Antão.

Painel central d' "As Tentações de Santo Antão", c. 1500, H. Bosch, MNAA

 

Nos arredores de Lisboa, pode ir até Setúbal e visitar o Museu do Convento de Jesus, que possui uma galeria inteiramente dedicada à pintura quinhentista, destacando-se o retábulo pintado por Jorge Afonso, pintor da corte do rei D. Manuel, que tinha o atelier na zona do Rossio e executou pinturas para inúmeros conventos, igrejas e mosteiros do país. Este retábulo, composto por 14 tábuas pintadas a óleo, foi executado entre 1510 e 1520, tendo sido oferecido por D. Leonor, irmã de D. Manuel e mulher do rei D. João II, às freiras do Convento de Jesus para ser exposto sobre o altar da igreja do convento setubalense.

"O Anjo coroa as Virgens Mártires", Jorge Afonso (1a metade do século XVI), Museu de Setúbal

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