Fim de tarde na Praça das Flores

Desenho retirado de http://artolices.blogspot.com

O Jardim Fialho de Almeida, ou da Praça das Flores, é um segredo escondido da cidade de Lisboa, daqueles que não se conta a muita gente.

É um jardim para toda a família, soalheiro, aconchegante, com um pequeno parque infantil, um lago e algumas árvores espalhadas pelos canteiros. O jardim conta ainda com um quiosque recuperado e a funcionar como ponto de venda de iguarias da Lisboa de 1900.

Os quiosques surgiram em Portugal em 1869, como uma importação do conceito francês onde existiam já desde 1620. Eram importantes pontos de encontro na cidade, tendo cada um a sua especialidade: tabaco, jornais, gelados, refrescos, flores, café.

O primeiro a aparecer em Lisboa foi o do Rossio, onde operários e artesãos se juntavam depois do trabalho. Posteriormente surgiram os quiosques da Avenida da Liberdade, das áreas portuárias junto ao Tejo que serviam os trabalhadores das docas e, por fim, os dos jardins da cidade.

Se inicialmente os seus principais clientes eram a classe operária e a pequena burguesia, com o decorrer dos tempos os quiosques passaram a ser ponto de encontro dos estudantes, artistas e intelectuais da capital.

Estas “boutiques de rua” em estilo Arte Nova ou de gosto oriental se, por um lado, contribuíam para o sentido estético como forma de embelezamento urbano, apresentavam-se ainda como espaços utilitários e locais de encontro, onde as pessoas se juntavam para desfrutar da cidade em horas de lazer. Com preços acessíveis a todas as carteiras, era possível comprar flores, tabaco, jornais, refrescos, gelados, torresmos, azeitonas e até peixe frito.

Após um período de franca decadência e abandono, iniciado em meados do século XX, os quiosques reapareceram em Abril de 2009 graças a Catarina Portas e João Regala, que recuperam o conceito de quiosque de refresco dos séculos XIX e XX, disponibilizando aos lisboetas uma variedade de petiscos típicos que, de outra forma, corriam o risco de cair em esquecimento. Disto é exemplo esta lindíssima estrutura de cúpula beringela da Praça das Flores, localizando-se as demais na Praça Luís de Camões e no Jardim do Príncipe Real.

Assim, neste final de semana, e aproveitado as tardes soalheiras na cidade, propomos que a partir do Príncipe Real ou de São Bento se perca pela Rua de São Marçal ou pela Nova da Piedade e ao chegar à Praça das Flores, sinta o cheiro a Primavera descansando num dos bancos que o jardim oferece. Ou opte por fazer um lanche diferente; sente-se na esplanada do quiosque e peça um capilé ou uma limonada e imagine-se em pleno “fin de sciecle”.”

Bom fim de semana!

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