O Livro dos Quintais 

O Livro dos Quintais, de Isabel Minhós Martins

Em pequenos quintais, tal como estes, passam-se grandes histórias. Todos conhecemos quintais assim: talhões muito encostados uns aos outros, onde a vida dos vizinhos se confunde com a nossa, e que só um olhar menos atento podia considerar iguais. São, pelo contrário, mil mundos bem diferentes. 

O Livro dos Quintais tem deliciosos (e despretensiosos) textos de Isabel Minhós Martins e coloridas ilustrações de Bernardo Carvalho, seleccionadas para a Exposição de Ilustração da Feira de Bolonha deste ano dentre quase 3000 trabalhos propostos. E merecem-no inteiramente. São imagens pintadas a canetas de feltro, as mesmas que as crianças adoram, e cheias de pormenores divertidos e ingénuos, perfeitas para mostrar aos meninos que também eles podem “fazer um livro”.

As histórias que este livro conta são todas passadas cá fora, entre bichos e homens, canteiros, limoeiros, nespereiras, hortas, tanques, estendais, bicicletas e barracões. Nos quintais se vê passar o tempo, mês a mês, pela mão (pelas patas?) de um gato chamado Gatuno, que é dono de todo o espaço e para quem não existem muros nem recantos desconhecidos. A leitura dos textos é completada, e muito enriquecida, pelo jogo de observação das imagens, onde se descobrem ainda mais histórias…

O Livro dos Quintais, de Isabel Minhós Martins; ilustração de Bernardo Carvalho (2.º Volume da Trilogia Histórias Paralelas), Edição: Planeta Tangerina, 2010

Arte num clique: The National Gallery of London

The National Gallery, London (foto de http://www.photo-visible.com)

Criada em 1824, a National Gallery of London é um dos maiores museus da Europa. Alberga uma colecção composta exclusivamente por pintura, com mais de 2.300 peças, que datam desde o século XIII  até ao início do século XX.
O museu começou com a compra, por parte da coroa britânica, da mansão do banqueiro John Julius Angerstein, que incluía a sua colecção de obras de arte. A esta juntou-se, em 1826, a colecção de Sir George Beaumont. Como as condições na mansão de Pall Mall não eram as melhores para acomodar as pinturas, o governo mandou construir em 1838 um edifício monumental em Trafalgar Square para albergar o museu, que rapidamente se tornou um espaço de referência nos círculos mais eruditos da Europa e dos Estados Unidos. Curiosamente, e desde a sua fundação, os governantes britânicos fizeram um esforço para que a National Gallery fosse acessível a todas as classes sociais. Este conceito  pouco comum na época permitiu que o museu se tornasse numa instituição de formação em artes para muitas gerações de jovens oriundos das classes operárias.
 
Essa tradição da “educação para as artes” manteve-se ao longo dos últimos 170 anos, e como tal a National Gallery continua a incrementar uma política de chegar a todos os públicos. As entradas no museu são gratuitas, os habitantes de Londres e os turistas são chamados ao espaço do museu não só pelas obras de arte mas também pelas áreas de lazer – o restaurante, a casa de chá, o espaço de concertos e de cinema – onde podem entrar sem serem obrigados à visita formal do percurso museológico (onde, deve referir-se, qualquer visitante se sente à vontade para explorar e admirar os quadros durante horas).
 
Em complemento ao espaço do museu, a National Gallery disponibiliza um site muito apelativo e bastante abrangente, que permite preparar uma visita ao museu – com a hipótese das mini-visitas para quem tem pouco tempo disponível – , ou visualizar as 2.300 pinturas acedendo a uma breve explicação sobre cada uma delas, com especial destaque para a pintura do mês e o “top 30”. Para que os visitantes se sintam integrados com a linguagem das obras, é disponibilizado um glossário. Para manter o público em permanente actualização são publicadas a agenda e as visitas temáticas. O site tem também uma “área de aprendizagem” onde podemos acompanhar as interessantes actividades educativas que o museu tem para todo o tipo de públicos: crianças, professores e escolas, académicos, adultos, famílias, séniores e bebés. A National Gallery tem ainda uma parceiria com algumas escolas dos hospitais londrinos, para que as crianças internadas a médio e longo prazo possam “ver” as pinturas do museu (através de impressões de alta qualidade) e fazer actividades didácticas.
 

Três quadros emblemáticos da colecção da National Gallery: 1. The Arnolfini Portrait, Jan Van Eyck 2. A Young Woman standing at a Virginal, Johannes Vermeer 3. Sunflowers, Vincent van Gogh

 
 Planeie a sua visita ou explore simplesmente o site, mas sobretudo, divirta-se.

Rostos da Central e Vestígios – Memórias da antiga carpintaria da Central Tejo, no Museu da Electricidade

Os Rostos da Central fazem parte da exposição permanente do Museu da Electricidade e levam-nos ao momento em que a Central Tejo se encontrava em pleno funcionamento. Esta é uma excepcional exposição de fotografia, de onde se destaca o trabalho de Kurt Pinto, e que conta ainda com os depoimentos dos antigos trabalhadores desta fábrica masculina.

“Vejamos portanto os trabalhadores/pessoas nesta exposição, detalhadamente escrutinemos as fotografias, prestando-lhes a obrigatória e atrasada homenagem pelo permanente desafio de levar electricidade a Lisboa, para que esta crescesse, para que o comércio e a indústria se desenvolvessem, para que as habitações, as escolas, os hospitais se ligassem à rede e, sobre esta, não só a lâmpada se ligasse mas também electrodomésticos e equipamento médico que de uma forma notável melhoraram a vida de todos.”

A par desta, e até 17 de Julho, poderá também ver a exposição Vestígios, da autoria de Luís Campos, que nos transporta para a antiga carpintaria da  Central Tejo apresentando “as últimas imagens de um espaço que será demolido no âmbito do projeto de construção do novo centro cultural da fundação EDP.”

Para saber mais espreite aqui.

Descobrir a Gulbenkian

Este fim-de-semana e à semelhança do que vem sendo habitual, a Fundação Gulbenkian convida-o a descobrir o espaço através de algumas actividades que lhe propôe.

Assim, em família ou a solo, entre crianças ou graúdos, a oferta é variada e dela destacamos, sábado às 10h e 15h, uma Viagem Especial ao Mundo dos Sons, uma oficína para crianças com necessidades educativas especiais que procura ajudar a “visualisar” e a “sentir” os sons.

Já para os mais crescidos destacamos a visita de domingo, às 11h, à exposição do Museu, que procura abordar, dentro da temática do Retrato, a importãncia das poses e atitudes.

Serralves em Festa

Ao longo deste fim de semana vai decorrer a 8.ª edição do Festival Serralves em Festa. Durante 40 horas, aquele que é considerado «o maior festival de expressão artística contemporânea em Portugal e um dos maiores da Europa» vai receber no espaço da Fundação Serralves – e também em alguns pontos da Baixa do Porto e no Aeroporto Francisco Sá Carneiro – mais de 240 eventos destinados a «todas as idades, para todas as famílias e para a família toda.»

As actividades abrangem as mais diversas áreas: Performance, Música (Improvisada, Pop Rock, Electrónica, Experimental, Jazz, DJs), Dança Contemporânea, Acrobacia, Circo Contemporâneo , Circo de Objectos Sonoros, Teatro (Teatro de Rua, Teatro para Infância e Juventude, Teatro de Marionetas) Cinema, Vídeo, Instalação, Fotografia, Visitas Orientadas, Exposições, Workshops e actividades para Crianças e Famílias.

Para saber mais, espreite aqui.

Cinema em Portugal: os primeiros anos

Pode ver, até dia 29 de Maio, no Museu da Ciência da Universidade de Lisboa, a exposição Cinema em Portugal: os primeiros anos. Esta é uma parceria da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.

“Das primeiras imagens em movimento aos alvores do cinema sonoro, a exposição percorre as primeiras décadas do cinema em Portugal, recordando a evolução da técnica e tecnologia envolvidas durante a I República. Dos primeiros espectáculos e primeiros filmes aos estúdios e rodagens, passando pelas salas e públicos e estrelas de cinema, sem esquecer os coleccionadores, mostram-se equipamentos, documentos e filmes, que são um testemunho, em Portugal, do nascimento fulgurante desta arte de multidões e da invenção de uma nova indústria no virar do século.”

Ainda que de pequena dimensão, conta com algumas relíquias como Serpentine, filme realizado pelos irmãos Lumiére em 1896 e colorido manualmente, ou alguns fragmentos das primeiras peliculas amadoras realizadas em Portugal nos anos 30 do século passado.

A exposição transporta-nos ainda até aos inícios dos filmes sonoros, apresentando os cartazes da Canção de Lisboa concebidos pelo Mestre Almada Negreiros e partes do filme da Severa e da Canção de Lisboa, este último realizado por Cottinelli Telmo, cineasta e arquitecto.

Para saber mais, espreite aqui.

Vitrais pela cidade

Vitral da cabeceira da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Lisboa

 

O vitral é um “jogo de cor” que pretende decorar e dar luz ao interior dos edifícios. Usado na Idade Média nas grandes catedrais góticas com parte indissociável da leitura do espaço – porque a luz era o meio para a compreensão divina – o vitral era inicialmente feito com guias ou filetes em chumbo, de secção em U ou em H, como suporte das peças de vidro colorido que o compõem. A coloração dos vidros era obtida através da adição de óxidos de vários metais – o vermelho a partir do cobre e do ouro, o amarelo e verde a partir do ferro, e os azuis a partir do cobalto – enquanto o vidro ainda estava moldável. Era uma técnica morosa e requeria extrema perícia no desenho, no corte do vidro, na conjugação de cores. Ao longo do século XVI caiu em desuso, sendo substituído pela pintura mural e, sobretudo, pela talha dourada. Nos finais de Oitocentos o vitral voltou a ressurgir como motivo decorativo, em parte porque a industrialização permitiu novas técnicas de fabrico do vidro, mais aperfeiçoadas, mas também porque tanto a arquitectura do ferro como o betão permitiram um uso funcional dos vitrais como ponto de iluminação em átrios e vãos de escada.

Hoje propomos que descubra em Lisboa e no Porto alguns exemplares desta arte decorativa, que tantas vezes passa despercebida a que vive e trabalha nas cidades.

Na capital destacam-se duas belíssimas obras de vitral executadas no século XX, uma profana e outra sagrada, ambas parte de dois edifícios emblemáticos da Lisboa contemporânea – a Casa-Atelier José Malhoa e a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Vitral da sala de jantar da Casa Malhoa (clique para ampliar)

Edificada nas Avenidas Novas, a magnífica casa neo-românica que o pintor Malhoa encomendou em 1904 ao arquitecto Norte Júnior (e que viria mais tarde a ganhar o Prémio Valmor) é decorada com uma série de vitrais, executados expressamente em Paris, na Société Artistique de Peinture sur Verre. Na sala de jantar, o grande janelão mostra um opulento vitral, com a figura de uma mulher que colhe frutos, parecendo estar no paraíso. Actualmente, o antigo atelier de José Malhoa alberga a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Grande coleccionador de obras de arte, o médico António Anastácio Gonçalves adquiriu a casa lisboeta de Malhoa em hasta pública e posteriormente legou-a ao Estado português, para que ali se fizesse um museu com as peças da sua colecção. Aproveite e conheça este pequeno museu dentro da cidade, aprecie as colecções de pintura, mobiliário e porcelana, bem como o espaço do atelier do pintor, que foi recriado.

Crucificação, coro alto da Igreja de Nª Sª Fátima

Também na zona das Avenidas Novas foi construída em 1934 – já em pleno Estado Novo – a Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Projectada pelo arquitecto Pardal Monteiro, é a primeira igreja modernista que desafiou “os códigos tradicionalistas”. O interior é decorado com vitrais de Almada Negreiros, que desenhou as composições inspirando-se nas formas usadas na Idade Média, dando-lhe uma estilização gráfica e mais moderna. Os vitrais retratam cenas como a Crucificação (no coro), a Santíssima Trindade ou os magníficos Anjos Músicos que, numa espécie de rendilhado, preenchem todo o espaço da cabeceira. Entre e deixe-se envolver por este espaço imponente mas intimista, e pelo jogo de luz e cor criado pelos seus vitrais.

Para quem vive no Porto, sugerimos uma visita ao antigo Café Imperial, na Avenida dos Aliados (que depois de restaurado passou a albergar um restaurante da cadeia MacDinald’s), onde pode apreciar os magníficos vitrais Art Déco de Ricardo Leone. Na parede do fundo, um grande painel faz alusão à produção, colheita e exportação do café brasileiro, e ao lado outro vitral retrata um casal elegante e o seu ritual de beber o café. A acompanhar estes vitrais, não deixe de apreciar os painéis de estuque tão ao gosto dos anos 30.

vitral do Antigo Café Imperial

 

Saia pela cidade, e divirta-se!