Baixa Pombalina

vista áerea da Baixa Pombalina

Esta semana propomos que percorra a Baixa Pombalina através de um olhar diferente. Sabe que antes de 1755 a cidade de Lisboa era muito diferente do que é hoje? Sabe que bastaram apenas 9 minutos para arrasar aquela que foi a capital dos Descobrimentos? Sabe que o que é hoje a Baixa de Lisboa foi considerada, na época, um dos mais inovadores projectos de urbanismo, arquitectura e engenharia anti-sísmica? E sabe que em todo este processo é incontornável a figura do Marquês de Pombal?

Pois é esta “nova” cidade de Lisboa, tantas vezes também denominada como a “cidade de Pombal”, que sugerimos que descubra esta semana, fazendo o percurso que sugerimos, cujo roteiro pode descarregar para impressão aqui.

Nos dias de hoje, pouco resta da Lisboa medieval retratada em mapas ou gravuras e descrita em tantos livros. A cidade, que tinha crescido ao longo de quase dez séculos a partir do castelo até ao rio, foi repentinamente destruída na manhã de 1 de Novembro de 1755. Durante 9 minutos «tremeu toda a terra», e em três abalos extremamente violentos um terramoto destruiu parte da cidade. A este seguiu-se um tsunami que engoliu o Terreiro do Paço e, por fim, um incêndio que durante seis dias consumiu muito do que havia subsistido ao terramoto.

Perante este cenário de destruição e caos, era necessário reerguer a cidade dos escombros, e foi o ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, que tomou a seu cargo esta tarefa.

Para estudar o modo de reconstruir a cidade foi reunida uma equipa de engenheiros e arquitectos, liderada por Manuel da Maia, que apresentou a Carvalho e Melo e ao rei D. José cinco hipóteses de reconstrução da cidade. Das soluções apresentadas – que iam desde reconstruir a cidade medieval tal como era a arrasar tudo e fazer uma “nova” cidade na zona de Belém – foi escolhida a que implicava construir a cidade na mesma localização geográfica mas segundo um plano urbanístico completamente distinto. Foram desenhadas seis plantas para a cidade baixa, tendo sido aprovado o projecto desenhado por Eugénio dos Santos.

A planta dispõe a capital numa grelha complexa, geometricamente equilibrada, em que oito ruas que ligam o Rossio ao Terreiro do Paço são entrecortadas por nove ruas perpendiculares. O conjunto é unido pelas duas praças. O Rossio manteve a superfície anterior ao terramoto, mas o antigo terreiro do paço real, irregular e ao qual se acedia por ruas sinuosas, deu lugar à quadrangular e espaço Praça do Comércio, assim chamada em homenagem aos comerciantes que pagaram a sua construção.  Um problema que se punha à reconstrução era a localização das igrejas. Lisboa era uma cidade de inúmeras igrejas paroquiais e conventos, muitos fundados na Idade Média, e manter a sua fixação pré-terramoto dificultava o desenho de uma malha urbana ampla. Assim, Carvalho e Melo deu permissão a Eugénio dos Santos para que deslocasse as igrejas da sua implantação original, o que permitiu ao engenheiro criar uma planta verdadeiramente moderna, em tudo independente do desenho urbano da antiga cidade.

Depois de se limpar todo o entulho deixado pelos destroços do sismo e marcar a delimitação das propriedades que existiam na cidade baixa antes do terramoto, foram decretadas as medidas das novas ruas – 60 palmos para as principais, 40 para as secundárias e 30 para as travessas – bem como os seus novos nomes. Só em 1759 se principiavam as obras de construção dos prédios, iniciadas a partir do Rossio e da Praça do Comércio ao mesmo tempo.

As formas dos edifícios desenhados para a “nova” cidade de Lisboa foram criadas segundo o princípio de que era necessário um modelo rápido e económico na construção. Além disso, os grandes quarteirões que passaram a formar a Baixa convidavam a construir blocos de prédios iguais na sua forma, ao invés de prédios isolados (como era comum antes do terramoto). Nascia assim a chamada arquitectura pombalina.

Aproveite o fim de semana, imprima o roteiro e descobra esta parte da cidade.

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