Dá cor a uma lenda medieval – a pintura românica

A pintura medieval europeia divide-se em dois grandes grupos, a românica e a gótica. Esta semana o Lápis & Pincéis abordará a românica.
 
Com uma forte componente pedagógica -  uma vez que a maioria das pessoas na Idade Média não sabiam ler e desconheciam a língua em que as missas eram professadas, o latim – a pintura românica usava as imagens como veículo por excelência para instruir na Fé Cristã. A pintura românica centra-se muito na temática religiosa versando sobre a vida de Cristo, histórias bíblicas, as vidas dos santos e sobre a temática histórica, contando os feitos heróicos dos guerreiros e as derrotas dos inimigos nas batalhas. Há ainda algumas imagens que reflectem o quotidiano, contudo mais pontuais.
 
A nível de suportes as pinturas medievais surgem-nos através das decorações das igrejas, nos frescos, retábulos e mosaicos e nos livros, através das iluminuras.  Ainda que muito diversa e com bastantes variações regionais, a pintura medieval românica obedecia a uma série de regras rígidas como a bidimensionalidade – ausência de perspectiva dos desenhos; o recurso a fundos pouco definidos sendo comum o recurso ao dourado; o uso de cores cheias e sem sombras; a falta de rigor anatómico sendo comum o uso do mesmo tamanho de cabeça e de mãos nas figuras representadas; a inexpressividade dos rostos respresentados; a frontalidade do rosto; o uso de figuras estáticas e em posições desarticuladas e o hieraterismo – hierarquização na representação dos elementos, a nível de tamanho e de posicionamento no desenho, consoante a importância religiosa ou social da figura representada. Outro facto curioso é a forma como as crianças eram representadas, como adultos em miniatura e nunca respeitando a sua fisionomia particular.

A par da pintura, há que mencionar a importância da tapeçaria medieval. Usada não só como elemento decorativo, tinha ainda um aspecto utilitário enquanto meio de aquecer os espaços. Um dos exemplares mais conhecidos do século XII é a a tapeçaria de Bayeux que nos conta a conquista da Inglaterra por Guilherme II, Duque da Normandia, mas isso aprofundaremos num proximo Lápis & Pincéis.

A Lenda das Amendoeiras em Flor

Quando o rei Ibn-Almundim reinava em Chelb – Silves -, há muitos, muitos séculos, era conhecido por ser vitorioso e nunca ter conhecido a derrota.

De uma das suas vitórias avistou entre os prisioneiros uma bela mulher loira, de pele clara, olhos azuis e porte altivo, que dava pelo nome de Gilda e era a princesa do reino derrotado. O rei apaixonou-se pela bela princesa, deu-lhe liberdade e desposou-a.

Um dia a princesa, que até então era feliz, caiu em grande tristeza e adoeceu sem razão aparente. Um cativo das terras do Norte, do reino de onde era princesa, pediu para falar com o rei e explicou-lhe que Gilda sentia saudades do seu país branco e gelado pela neve.

Ibn-Almudim, sem saber o que fazer, pois não nevava no seu reino pensou em qual seria a solução para a tristeza da sua rainha. O rei mandou plantar amendoeiras por todo o seu reino e esperou que Gilda resistisse até à primavera.

Quando os pássaros e as brisas quentes chegaram pediu à princesa para chegar à janela do castelo e admirasse as pequenas flores brancas que povoavam as terras até perder de vista. A princesa soltou uma lágrima e despediu-se das saudades que sentia da neve branca do seu reino do Norte. E é por esta razão que existem amendoeiras no Algarve.

Lápis & Pinceis
Pensa no número de “quadradinhos” que vais precisar para contar a história que te apresentámos. Pega numa folha A4 branca e desenha os rectângulos ou quadrado que achas que necessitas – não te esqueças que podes fazer rectângulos maiores para as cenas que considerares mais importantes.Numa folha ao lado faz o esquema da página, numera os quadrados e faz corresponder uma legenda a cada quadrado para não te perderes e teres um guião de trabalho.Pega na folha e começa a desenhar a história. Se quiseres podes aplicar ao teu desenho algumas regras da pintura medieval, nomeadamente o desenhares as personagens com um tamanho correspondente à sua importância social. Assim um mendigo será sempre desenhado com um tamanho inferior a um nobre ou a um membro do clero. Quando desenhares crianças, desenha-as como adultos pequenos.